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Tecnologia

EUA ampliam vigilância: plano prevê monitorar centenas de milhares de imigrantes com pulseiras eletrônicas

O governo dos Estados Unidos planeja expandir drasticamente o uso de pulseiras eletrônicas para monitorar imigrantes em situação irregular. A medida pode beneficiar empresas privadas com laços políticos e levanta preocupações sobre vigilância em massa e dignidade humana. Entenda como essa decisão está sendo articulada — e quem realmente ganha com ela.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Com a volta de Donald Trump à presidência dos EUA, políticas migratórias mais rígidas voltam ao centro da agenda. Um novo plano do ICE (agência de imigração norte-americana) prevê monitorar quase 200 mil imigrantes com pulseiras eletrônicas, o que representa uma ampliação sem precedentes no controle da população não detida. A decisão favorece empresas privadas e levanta questionamentos éticos sobre liberdade e tratamento humanitário.

Expansão silenciosa da vigilância eletrônica

Segundo o Washington Post, o ICE pretende expandir o uso de pulseiras eletrônicas de 24 mil para cerca de 183 mil imigrantes adultos. A medida faz parte do programa de “Alternativas à Detenção”, que permite que essas pessoas aguardem julgamento fora das prisões — mas sob monitoramento constante.

Mesmo preferíveis à detenção em centros do ICE, as pulseiras são criticadas por causar irritações na pele, além de falhas nas baterias, o que pode prejudicar o cumprimento das exigências legais. Para gestantes, o uso seria no pulso, e não no tornozelo.

O papel da indústria carcerária privada

O contrato para o monitoramento é administrado pela BI Inc., uma subsidiária da gigante do setor carcerário privado GEO Group, que começou fabricando equipamentos para gado nos anos 1970. Hoje, ela gerencia tecnologias como o aplicativo SmartLINK, que usa reconhecimento facial para rastrear imigrantes via celular.

Apesar de a maioria dos casos já utilizar o aplicativo, o ICE considera que apenas ele não basta e quer expandir o uso das pulseiras eletrônicas.

Interesses políticos e lucros em alta

Desde a reeleição de Trump em 2024, empresas como GEO Group e CoreCivic viram o valor de suas ações disparar. GEO Group, inclusive, doou mais de 1,5 milhão de dólares à campanha de Trump e a comitês ligados ao seu governo, segundo grupos de monitoramento político como OpenSecrets e CREW.

Em reunião com investidores, o COO da GEO, Wayne Calabrese, afirmou que a empresa está pronta para fornecer dispositivos suficientes para monitorar “centenas de milhares, ou até milhões” de imigrantes. Segundo ele, a demanda pode ser tão alta que será necessário contratar mais fornecedores.

O futuro da vigilância migratória

Há expectativas dentro do Partido Republicano de expandir esse monitoramento para até 7 milhões de imigrantes, seja por meio de pulseiras eletrônicas ou aplicativos móveis. Embora apresentado como alternativa à detenção, o plano reacende o debate sobre a ética da vigilância em massa e o papel das empresas privadas na política de imigração.

Fonte: Gizmodo ES

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