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Ciência

Europa acelera missão a Marte com rover Rosalind Franklin e mira lançamento em 2028 para buscar sinais de vida

Após anos de atrasos e mudanças de parceiros, a primeira grande missão europeia a Marte entra em fase decisiva. Com apoio da NASA e lançamento previsto em um foguete da SpaceX, o projeto quer perfurar o solo marciano em busca de vestígios de vida passada.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A Europa está mais perto de dar um passo histórico na exploração espacial. A Agência Espacial Europeia confirmou que sua primeira missão de grande porte a Marte entrou na fase final de desenvolvimento, com previsão de lançamento “não antes do fim de 2028”.

O projeto, que passou por quase uma década de atrasos, ganhou novo fôlego após uma parceria com a NASA e a definição do foguete que levará a missão ao espaço: o Falcon Heavy, da SpaceX.

Uma missão para procurar vida em Marte

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© pexels

O grande objetivo da missão é ambicioso: buscar sinais de vida no passado — ou até no presente — do planeta vermelho.

Para isso, o rover Rosalind Franklin será equipado com um sistema de perfuração capaz de atingir até dois metros de profundidade no solo marciano.

Essa estratégia é crucial. A superfície de Marte sofre intensa radiação e processos químicos que degradam moléculas orgânicas. Já no subsolo, há maior chance de preservar possíveis biomarcadores.

Um laboratório móvel em outro planeta

O rover funcionará como um laboratório científico completo. Após coletar amostras do subsolo, ele analisará os materiais diretamente em Marte, usando instrumentos avançados para identificar compostos associados à vida.

O local de exploração foi escolhido justamente por ter evidências de que, no passado, abrigou água líquida — um dos principais requisitos para o surgimento de vida como conhecemos.

Uma missão marcada por atrasos e mudanças

O caminho até aqui não foi simples. Inicialmente prevista para 2018, a missão sofreu adiamentos por questões técnicas e, depois, pela pandemia de covid-19.

Quando parecia pronta para avançar, em 2022, o projeto enfrentou um novo obstáculo: a ruptura da parceria com a Rússia após a invasão da Ucrânia. Isso deixou a missão em suspenso.

A retomada só ocorreu em 2024, quando a NASA entrou como parceira estratégica, substituindo a agência espacial russa e viabilizando a continuidade do projeto.

O papel dos Estados Unidos

Apesar de ser liderada pela Europa, a missão depende de colaboração internacional. A NASA será responsável por fornecer sistemas essenciais, incluindo:

  • Motores de frenagem para o pouso em Marte
  • Sistemas de aquecimento para suportar temperaturas extremas
  • Componentes eletrônicos críticos
  • Parte dos instrumentos científicos

Além disso, o lançamento ocorrerá a partir do Centro Espacial Kennedy, nos Estados Unidos.

Um novo capítulo na exploração de Marte

A missão mais ambiciosa para Marte pode ter chegado ao fim sem aviso
© https://x.com/NASAJPL/

A escolha do Falcon Heavy como veículo de lançamento reforça a tendência crescente de colaboração entre agências públicas e empresas privadas na exploração espacial.

Se tudo correr como planejado, a missão marcará a primeira vez que a Europa pousa um rover em Marte com capacidade de perfuração profunda — um avanço significativo na busca por vida fora da Terra.

O que está em jogo

Mais do que um feito tecnológico, a missão representa uma oportunidade científica única. Encontrar sinais de vida, mesmo que microscópica e extinta, mudaria nossa compreensão do universo.

Depois de anos de incertezas, o projeto entra agora em sua fase mais decisiva. E, se não houver novos contratempos, 2028 pode marcar um momento histórico: o dia em que a Europa finalmente chegou a Marte em busca de respostas fundamentais sobre a vida.

 

[ Fonte: El Periódico ]

 

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