Pular para o conteúdo
Ciência

Fígado gorduroso: qual é a dieta mais eficaz para tratá-lo, segundo especialistas, e por que essa condição silenciosa exige atenção imediata

O fígado gorduroso afeta milhões de pessoas e, na maior parte dos casos, não apresenta sintomas. Especialistas apontam a dieta mediterrânea como a mais eficaz para reverter o quadro e prevenir complicações graves. Além disso, novos estudos destacam alimentos que podem oferecer proteção extra ao fígado.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

O fígado gorduroso — alcoólico ou não alcoólico — tornou-se uma das doenças metabólicas mais comuns no mundo, em grande parte devido ao excesso de açúcar, bebidas industrializadas e sedentarismo. Embora silencioso, o problema pode evoluir para cirrose, câncer de fígado e aumentar o risco cardiovascular. Por isso, médicos defendem mudanças imediatas no estilo de vida. Entre elas, uma estratégia alimentar específica se destaca pela eficácia: a dieta mediterrânea.

Por que a dieta mediterrânea é a mais indicada

Dieta
© Getty Images – Unsplash

A alimentação mediterrânea é rica em antioxidantes, fibras, cereais integrais, leguminosas, sementes e ômega-3, além de ser naturalmente baixa em açúcares. Esses componentes reduzem a inflamação hepática e ajudam o corpo a processar gorduras de forma mais eficiente.

Entre as recomendações principais:

  • Azeite de oliva diariamente, preferencialmente cru, para preservar seus antioxidantes.

  • Aumento do consumo de peixes, especialmente os ricos em ômega-3, como sardinha e salmão.

  • Menos carne vermelha e maior presença de verduras, frutas e cereais no prato.

  • Cinco porções de frutas e vegetais por dia, aumentando gradualmente a quantidade.

  • Leguminosas como lentilha, grão-de-bico e feijão, que fornecem proteínas de qualidade.

  • Lácteos magros e frutos secos, que oferecem gorduras cardioprotetoras.

  • Eliminação de álcool e bebidas açucaradas, fundamentais para evitar sobrecarga no fígado.

A lógica não é abandonar totalmente as gorduras, mas controlar a energia ingerida e priorizar fontes saudáveis.

A condição silenciosa que afeta 1 em cada 3 argentinos

Segundo o cardiologista Jorge Tartaglione, cerca de um terço da população argentina sofre de fígado gorduroso, frequentemente associado a sobrepeso, má alimentação, diabetes e sedentarismo.

A doença se desenvolve em etapas:

  1. Acúmulo de gordura nas células hepáticas.

  2. Inflamação e formação de cicatrizes.

  3. Evolução para cirrose, caso não seja tratada.

“O fígado gorduroso não dá sintomas”, explica Tartaglione. Por isso, quando o diagnóstico é tardio, o risco de progressão aumenta. O especialista alerta também que a condição é um fator de risco para infarto e AVC.
Em pacientes jovens, o achado serve como alerta precoce de futuros problemas cardíacos.

Diagnóstico precoce: quais exames detectar e quando buscar ajuda

Por ser assintomático, o diagnóstico depende de dois exames básicos:

  • Ecografia, que identifica acúmulo de gordura.

  • Exames de sangue, especialmente enzimas hepáticas alteradas.

Diante de qualquer alteração, Tartaglione reforça: “É o momento de fazer mudanças reais — alimentação saudável, atividade física, perda de peso e abstinência total de álcool.”

O adoçante industrial que agrava o fígado gorduroso

Tartaglione também destaca o papel do xarope de milho de alta frutose (JMAF), muito presente em alimentos processados por ser barato e extremamente doce.
Esse tipo de frutose é metabolizado exclusivamente no fígado, o que favorece o acúmulo de gordura hepática e agrava inflamações.
“Está em centenas de produtos. Evite-o sempre que puder”, alerta o especialista.

Três opções naturais para ajudar a proteger o fígado

Além da dieta mediterrânea, estudos apontam três alimentos que podem oferecer efeitos protetores adicionais.

Jugo de beterraba

Segundo a organização Fundahígado, a beterraba contém potássio, vitamina C e antioxidantes como a betalaína, capazes de reduzir inflamações e ajudar a prevenir complicações hepáticas. O suco é especialmente útil em casos de risco aumentado, como pacientes com cirrose.

Chá verde

Um metanálise publicada no International Journal of Clinical and Experimental Medicine associou o consumo regular de chá verde a menor risco de doença hepática, incluindo cirrose, hepatite e fígado gorduroso. Seus polifenóis atuam como antioxidantes potentes.

Café

O inesperado motivo que derrubou o preço do café no Brasil
© Pexels

A British Liver Trust afirma que o café, consumido com moderação, reduz o risco de cirrose e de certos tipos de câncer hepático.
Um estudo de 2021 citado pela Medical News Today mostrou que até o café descafeinado e o instantâneo têm efeitos protetores. A dose recomendada: 3 a 4 xícaras por dia.

 

[ Fonte: La Nación ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados