A corrida para eliminar os combustíveis fósseis dos automóveis abriu caminho para diferentes soluções: veículos elétricos a bateria, híbridos e até modelos movidos a hidrogênio. Mas, enquanto algumas marcas recuam diante dos desafios da tecnologia, outras ainda acreditam no seu potencial estratégico.
Stellantis diz adeus às células de hidrogênio
A Stellantis — resultado da fusão entre Fiat, PSA e Chrysler — confirmou que vai interromper todo o desenvolvimento de veículos a hidrogênio, incluindo carros, vans pequenas e furgões grandes.
Segundo a empresa, o segmento continua sendo “de nicho” e não apresenta perspectivas de sustentabilidade econômica a médio prazo. Funcionários que trabalhavam no setor de P&D serão realocados para projetos de veículos híbridos e elétricos convencionais, foco atual da marca.
A promessa e os problemas do hidrogênio
Carros elétricos ou a hidrogênio? Estudo diz qual solução é melhor pic.twitter.com/Xgh5vwyPXd
— Olhar Digital (@olhardigital) July 27, 2025
O principal argumento a favor do hidrogênio era o tempo de abastecimento, comparável ao da gasolina ou do diesel, e muito mais rápido que a recarga de um carro elétrico. Na prática, porém, a logística é complexa.
O exemplo é o GR LH2 Racing da Toyota, que exige um sistema criogênico para manter o hidrogênio a -253 °C. Isso demanda isolamento e manuseio avançados, inviáveis para o uso cotidiano. Além disso, a densidade energética do hidrogênio é quase nove vezes menor que a da gasolina, o que complica o armazenamento.
Sem infraestrutura de abastecimento, a viabilidade despenca. Hoje, existem pouco mais de mil “hidrogeneras” abertas ao público em todo o mundo, e até na Alemanha algumas começaram a fechar por falta de uso.
A posição da BMW: hidrogênio como plano B
Enquanto a Stellantis recua, a BMW mantém o discurso de que o hidrogênio pode ser a chave para que a Europa não dependa da indústria chinesa de baterias e terras raras.
A marca trabalha em um SUV a hidrogênio previsto para 2028 e argumenta que a estratégia europeia deve ser diversificada, contemplando mais de uma tecnologia. Volvo e outras fabricantes também mantêm projetos voltados principalmente para caminhões movidos a célula de combustível.
Um mercado em transição
Com quedas sucessivas nas vendas de carros a hidrogênio em 2023 e 2024, a empolgação inicial pelo segmento parece ter esfriado — pelo menos para veículos de passeio. O futuro da tecnologia pode estar mais nos veículos pesados e no transporte de longa distância do que no automóvel particular.
[ Fonte: Xataka ]