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Tecnologia

Fim da aposta? Stellantis abandona carros a hidrogênio enquanto BMW insiste na tecnologia

A Stellantis encerrou seu programa de veículos movidos a célula de combustível de hidrogênio, alegando falta de viabilidade econômica. Já a BMW defende que a tecnologia pode ser estratégica para reduzir a dependência europeia da China no setor de baterias.
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Tempo de leitura: 2 minutos

A corrida para eliminar os combustíveis fósseis dos automóveis abriu caminho para diferentes soluções: veículos elétricos a bateria, híbridos e até modelos movidos a hidrogênio. Mas, enquanto algumas marcas recuam diante dos desafios da tecnologia, outras ainda acreditam no seu potencial estratégico.

Stellantis diz adeus às células de hidrogênio

A Stellantis — resultado da fusão entre Fiat, PSA e Chrysler — confirmou que vai interromper todo o desenvolvimento de veículos a hidrogênio, incluindo carros, vans pequenas e furgões grandes.

Segundo a empresa, o segmento continua sendo “de nicho” e não apresenta perspectivas de sustentabilidade econômica a médio prazo. Funcionários que trabalhavam no setor de P&D serão realocados para projetos de veículos híbridos e elétricos convencionais, foco atual da marca.

A promessa e os problemas do hidrogênio

O principal argumento a favor do hidrogênio era o tempo de abastecimento, comparável ao da gasolina ou do diesel, e muito mais rápido que a recarga de um carro elétrico. Na prática, porém, a logística é complexa.

O exemplo é o GR LH2 Racing da Toyota, que exige um sistema criogênico para manter o hidrogênio a -253 °C. Isso demanda isolamento e manuseio avançados, inviáveis para o uso cotidiano. Além disso, a densidade energética do hidrogênio é quase nove vezes menor que a da gasolina, o que complica o armazenamento.

Sem infraestrutura de abastecimento, a viabilidade despenca. Hoje, existem pouco mais de mil “hidrogeneras” abertas ao público em todo o mundo, e até na Alemanha algumas começaram a fechar por falta de uso.

A posição da BMW: hidrogênio como plano B

Enquanto a Stellantis recua, a BMW mantém o discurso de que o hidrogênio pode ser a chave para que a Europa não dependa da indústria chinesa de baterias e terras raras.

A marca trabalha em um SUV a hidrogênio previsto para 2028 e argumenta que a estratégia europeia deve ser diversificada, contemplando mais de uma tecnologia. Volvo e outras fabricantes também mantêm projetos voltados principalmente para caminhões movidos a célula de combustível.

Um mercado em transição

Com quedas sucessivas nas vendas de carros a hidrogênio em 2023 e 2024, a empolgação inicial pelo segmento parece ter esfriado — pelo menos para veículos de passeio. O futuro da tecnologia pode estar mais nos veículos pesados e no transporte de longa distância do que no automóvel particular.

 

[ Fonte: Xataka ]

 

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