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Ciência

Focas que pegam carona quando lhes convém

A velocidade de um iceberg é o principal fator para decidir onde passar o tempo.
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Tempo de leitura: 2 minutos

As focas-comuns (Phoca vitulina) que habitam as águas próximas às costas do Alasca escolhem os icebergs onde passarão o tempo, dependendo da estação. Essa é a conclusão de uma pesquisa apresentada hoje na reunião anual da União Geofísica da América do Norte (AGU).

O estudo se concentrou nas focas do Parque Nacional Glacier Bay, no Alasca, onde o glaciar Johns Hopkins está avançando—um dos poucos glaciares no mundo que ainda avança, segundo comunicado da AGU. Como resultado desse avanço, o glaciar tem poucos rompimentos, o que reduz a quantidade de icebergs no fiorde e, consequentemente, o habitat das focas. A pesquisa recente investigou que tipo de iceberg as focas escolhem para descansar ao longo do ano.

“Há icebergs no fiorde em áreas de corrente rápida, em redemoinhos e perto do glaciar,” explicou Lynn Kaluzienski, pesquisadora da Universidade do Alasca e autora principal do estudo. “Queríamos entender quais dessas áreas as focas utilizam e como esse habitat está mudando devido ao avanço do glaciar e à diminuição da quantidade de icebergs.”

Escolhas baseadas na estação

Os pesquisadores descobriram que, durante a época de reprodução (junho), as focas preferem icebergs que se movem lentamente, enquanto na época de troca de pelo (agosto) optam por aqueles que se deslocam mais rápido. Os icebergs lentos foram classificados como aqueles que se movem cerca de 20 cm por segundo. Durante a troca de pelo, as focas tendem a aparecer próximas às águas de correntes rápidas, formadas por fluxos oceânicos e pelo derretimento dos glaciares. Essas áreas são ricas em plâncton e peixes, oferecendo um verdadeiro banquete para as focas.

Um refúgio estável

Já os icebergs mais lentos são mais estáveis para as focas adultas cuidarem de seus filhotes no início do verão.
“Nossa pesquisa estabelece uma ligação direta entre o avanço do glaciar e a distribuição e o comportamento das focas,” destacou Kaluzienski. “Estudos interdisciplinares como este, juntamente com campanhas de monitoramento de longo prazo, são cruciais para entender como as mudanças climáticas afetarão os ecossistemas dos fiordes alimentados por glaciares.”

O impacto das mudanças climáticas

O aquecimento global pode alterar drasticamente o ambiente das focas. Uma análise feita por IA com 10 modelos climáticos, divulgada hoje, indicou que 34 regiões definidas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) têm 50% de chance de aquecer 2 °C acima dos níveis pré-industriais.

Para as focas em geral, tem sido um ano movimentado. Em fevereiro, um elefante-marinho emocionou ao salvar um filhote que estava se afogando, empurrando-o para a costa com a cabeça. Mas nem todas as notícias foram positivas: em junho, nove focas nas águas da África do Sul testaram positivo para raiva, após meses de relatos de ataques a humanos.

As focas que vivem nos icebergs do Alasca tiveram um ano melhor que suas colegas sul-africanas. Embora a quantidade de icebergs esteja diminuindo, pelo menos não enfrentam a raiva. Afinal, é sempre bom ver o lado positivo!

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