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Ciência

Fungos negros podem transformar plástico em ingredientes comestíveis, aponta startup alemã

Pesquisadores da Biophelion desenvolveram um processo em que o fungo Aureobasidium pullulans decompõe resíduos plásticos, gera compostos úteis para alimentos e até captura CO₂. A inovação pode mudar o futuro da indústria e ajudar no combate à poluição.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Os fungos talvez sejam os organismos mais surpreendentes do planeta. Conseguem viver em quase qualquer lugar, são usados tanto em medicamentos quanto em venenos e, agora, podem também ser aliados contra o lixo plástico.

A startup alemã Biophelion anunciou que conseguiu fazer o fungo negro Aureobasidium pullulans decompor resíduos plásticos e convertê-los em novos produtos úteis — alguns até comestíveis.

Como funciona o processo

O método não acontece de forma mágica. Primeiro, o fungo — conhecido por sobreviver em ambientes hostis e se alimentar de praticamente qualquer coisa — consome os subprodutos industriais do plástico. Em seguida, os digere e excreta três compostos principais:

  • Pullulan: um polímero insípido, já usado como aditivo alimentar, em películas comestíveis e cápsulas vegetarianas.

  • Poliéster: adequado para embalagens plásticas sustentáveis.

  • Molécula surfactante: substância promissora para aplicações como a impressão 3D, além de poder substituir surfactantes artificiais presentes em detergentes e sabões.

Durante o processo, o fungo ainda consome o dióxido de carbono contido no plástico, impedindo que esse gás de efeito estufa seja liberado na atmosfera.

Uma solução natural para a poluição

O projeto nasceu no “Circular Biomanufacturing Challenge”, promovido pela Agência Federal Alemã de Inovações (SPRIND). Para os pesquisadores, a tecnologia pode oferecer uma saída sustentável para um dos maiores problemas ambientais do mundo: o excesso de plástico descartado.

Segundo Till Tiso, cofundador da Biophelion e microbiologista da Universidade de Bielefeld, a ideia é abrir caminho para usos inéditos:
“Estamos explorando aplicações que antes não eram sequer concebíveis. O pullulan e a molécula surfactante são grandes promessas nesse sentido.”

Impacto e próximos passos

Se conseguir avançar para escala industrial, o método pode transformar tanto a indústria alimentícia, quanto a de materiais e produtos de limpeza, reduzindo a dependência de compostos químicos poluentes.

“O desafio sempre foi a distância entre a pesquisa acadêmica e a implementação industrial. Mas desta vez acreditamos que conseguiremos fazer essa ponte nós mesmos”, afirmou Tiso.

De ingrediente alimentar a embalagem biodegradável, o fungo negro Aureobasidium pullulans pode ser a chave para reduzir o lixo plástico e inaugurar uma nova era de biotecnologia sustentável.

 

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