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Ciência

Não estão só nos oceanos: microplásticos agora contaminam o ar

Os microplásticos deixaram de ser apenas um problema dos oceanos e do solo: agora eles também flutuam no ar. Um estudo internacional alerta que essas partículas viajam por continentes inteiros, chegam até regiões remotas como polos e cordilheiras e podem representar sérios riscos para a saúde e o meio ambiente.
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Tempo de leitura: 2 minutos

A poluição plástica se tornou uma das maiores ameaças globais do século XXI. O que antes parecia restrito a mares e rios agora está presente até mesmo na atmosfera. Pesquisas recentes mostram que micro e nanoplásticos circulam no ar, atravessam fronteiras e podem chegar aos nossos pulmões. O fenômeno é pouco estudado e ainda cheio de incertezas, mas já desperta preocupação entre cientistas e autoridades de saúde pública.

Plásticos que atravessam fronteiras

O relatório publicado em Current Pollution Reports classifica os micro e nanoplásticos atmosféricos (AMNPs) como contaminantes capazes de percorrer milhares de quilômetros em poucos dias. Transportados por correntes de ar, podem cruzar oceanos e cadeias montanhosas, aparecendo em locais sem qualquer fonte local de poluição.

A principal via de exposição humana é a inalação, especialmente em áreas urbanas densamente povoadas e industrializadas. No entanto, a magnitude do problema ainda é difícil de dimensionar: as estimativas de emissão variam de menos de 800 toneladas até 9 milhões por ano. Não está claro, por exemplo, se a maior parte dessas partículas tem origem terrestre — como o desgaste de pneus — ou marinha, resultado da pulverização de ondas.

O desafio de medir o invisível

A análise de cerca de 100 estudos mostra uma dificuldade central: não existem padrões de medição unificados. Diferenças nos equipamentos de coleta, nos critérios de definição de tamanho das partículas e na duração dos experimentos produzem resultados muito diferentes, mesmo em uma mesma região.

Os modelos atmosféricos disponíveis também simplificam demais a realidade, assumindo que as partículas são esféricas e homogêneas. Na prática, elas apresentam formatos irregulares, densidades variáveis e diferentes estágios de degradação. Sem dados mais precisos, os cálculos sobre dispersão e impacto seguem pouco confiáveis.

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© PropositoyVida – X

Riscos para a saúde e para o planeta

Embora ainda haja muitas lacunas, os especialistas alertam que os riscos dos microplásticos no ar não podem ser ignorados. Essas partículas podem atravessar barreiras biológicas, alcançar órgãos internos e se acumular em tecidos. Além disso, se depositam em ecossistemas frágeis, como geleiras, desertos e florestas de alta montanha, alterando a biodiversidade local.

Segundo Zhonghua Zheng, da Universidade de Manchester, “a incerteza sobre a quantidade de plástico na atmosfera é alarmante. Se queremos proteger as pessoas e o planeta, precisamos de melhores dados, melhores modelos e coordenação global”.

Um chamado para ação global

Para enfrentar essa ameaça emergente, os cientistas defendem a criação de uma rede internacional de monitoramento com protocolos padronizados, além do uso de inteligência artificial para identificar padrões em grandes volumes de dados. Também sugerem que modelos atmosféricos incorporem variáveis mais realistas sobre tamanho, forma e envelhecimento das partículas.

O consenso é claro: os microplásticos no ar não respeitam fronteiras nacionais. Sem uma resposta coordenada e urgente, os impactos sobre a saúde humana e os ecossistemas podem se tornar irreversíveis.

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