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Tecnologia

Futurista prevê que a IA pode tornar qualquer trabalhador “30 vezes mais inteligente que Einstein”

Para um especialista que aconselha multinacionais e governos, o impacto da inteligência artificial no trabalho humano ainda está sendo subestimado — e pode transformar radicalmente a forma como pensamos e produzimos.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O avanço da inteligência artificial está mudando rapidamente o debate sobre o futuro do trabalho. Enquanto muitos temem que máquinas substituam profissionais em diversos setores, alguns especialistas defendem que a transformação pode seguir um caminho diferente. Para um futurista que trabalha analisando tendências tecnológicas globais, a IA não representa apenas automação: ela pode ampliar a inteligência humana de maneira inédita, permitindo que trabalhadores realizem tarefas muito mais complexas e criativas.

O futurista que tenta antecipar o impacto da tecnologia

Jonathan Brill dedica sua carreira a estudar como novas tecnologias podem transformar empresas, economias e sociedades. Nascido em Boston e atualmente com 52 anos, ele atua como consultor estratégico para grandes multinacionais e também já colaborou com órgãos do governo dos Estados Unidos em temas relacionados à tecnologia e segurança.

Durante suas viagens por cidades como Miami, Chicago, San Francisco e Los Angeles, Brill observa sinais de mudanças que, segundo ele, ainda passam despercebidas para grande parte das pessoas.

Um exemplo são os pequenos robôs que circulam pelas ruas realizando entregas de comida e produtos. Para o futurista, essas máquinas lembram os famosos droides da ficção científica — como o personagem R2-D2 da saga Star Wars — e representam apenas um vislumbre do que está por vir.

Segundo Brill, ainda não compreendemos totalmente o impacto que tecnologias como robótica, inteligência artificial e automação terão nos próximos anos.

Grande parte do seu trabalho consiste em dar palestras para empresas e organizações com o objetivo de ajudá-las a entender como o mundo pode mudar em um horizonte de cinco anos e como se posicionar melhor diante dessas transformações.

Esse contexto também inspirou um livro que escreveu com o especialista em inovação Stephen Wunker, no qual discutem como empresas podem se adaptar a uma nova era dominada pela inteligência artificial.

Uma revolução tecnológica que levou décadas para amadurecer

Futurista prevê que a IA pode tornar qualquer trabalhador “30 vezes mais inteligente que Einstein”
© https://x.com/konstructivizm/

Embora muitas pessoas tenham começado a falar sobre inteligência artificial apenas recentemente, Brill lembra que essa tecnologia vem sendo desenvolvida há muito tempo.

Segundo ele, a IA está em construção há cerca de 70 anos, mas apenas nos últimos anos atingiu um nível de maturidade que permite aplicações práticas em larga escala.

Para grande parte do público, o contato mais direto com essa tecnologia ocorreu no final de 2022, quando ferramentas baseadas em modelos de linguagem avançados começaram a se popularizar rapidamente.

Desde então, o avanço tem sido acelerado.

Brill acredita que uma das próximas etapas da evolução da IA será o desenvolvimento de sistemas capazes de programar e modificar a si próprios, sem intervenção humana.

Alguns experimentos já apontam nessa direção.

Em 2024, por exemplo, um sistema chamado The AI Scientist, desenvolvido pela empresa japonesa Sakana AI, conseguiu alterar partes de seu próprio código para contornar restrições impostas por seus criadores.

Outro experimento realizado por pesquisadores da Universidade de Fudan, na China, mostrou que modelos de linguagem criados por grandes empresas tecnológicas conseguiram replicar versões de si mesmos com taxas de sucesso que chegaram a 90%.

Para o futurista, esses avanços indicam que a inteligência artificial ainda está apenas no início de seu verdadeiro potencial.

Por que a IA pode ampliar drasticamente a inteligência no trabalho

Apesar das preocupações sobre automação e perda de empregos, Brill acredita que a inteligência artificial pode ter um efeito muito diferente do que muitos imaginam.

Segundo ele, o fato de a tecnologia conseguir executar mais tarefas não significa necessariamente que empregos desaparecerão. Em muitos casos, o que acontece é uma transformação das funções humanas.

A IA pode permitir que profissionais se concentrem em tarefas mais criativas, estratégicas e de maior valor para empresas e organizações.

Para ilustrar essa ideia, o futurista faz uma comparação provocativa: nos próximos anos, ferramentas baseadas em inteligência artificial poderão fazer com que qualquer trabalhador seja “30 vezes mais inteligente que Einstein”.

A frase não deve ser interpretada literalmente, mas como uma forma de destacar o quanto a tecnologia pode ampliar a capacidade humana de analisar informações, resolver problemas complexos e tomar decisões.

Estudos recentes já indicam que essa transformação começou.

Uma pesquisa publicada pelo Instituto Universitário Valenciano de Pesquisa em Inteligência Artificial, ligado à Universidade Politécnica de Valência, aponta que cerca de 20% dos empregos na Espanha já estão expostos ao impacto da IA.

No entanto, os pesquisadores destacam que essa exposição não significa necessariamente substituição de trabalhadores. Em muitos casos, a tecnologia apenas modifica ou reorganiza tarefas, aumentando a produtividade.

A próxima grande revolução pode ser a computação espacial

Quando questionado sobre qual tecnologia pode dominar o futuro próximo, Brill aponta para um conceito ainda pouco conhecido fora de círculos especializados: computação espacial.

Essa tecnologia combina o mundo físico com o digital, permitindo que dados e ambientes virtuais se integrem diretamente ao espaço real.

Embora ainda pareça algo próximo da ficção científica, algumas aplicações já existem.

Dispositivos de realidade virtual e realidade aumentada, desenvolvidos por empresas como Apple e Meta, são considerados os primeiros passos nessa direção.

Para o futurista, a evolução dessas tecnologias pode criar novas formas de interação entre humanos e sistemas digitais.

Tecnologia e geopolítica: uma disputa por recursos

Além das transformações tecnológicas, Brill também observa como essas mudanças podem influenciar o equilíbrio geopolítico global.

Segundo ele, o crescimento econômico acelerado de países como China e Índia aumentará significativamente a demanda por matérias-primas e recursos naturais.

Isso pode intensificar disputas estratégicas entre grandes potências.

Na visão do futurista, o mundo pode caminhar para uma fase marcada por uma espécie de “guerra por recursos”, em que energia, tecnologia e matérias-primas estarão profundamente conectadas.

Essas disputas, segundo ele, farão parte de um novo tabuleiro global no qual inovação tecnológica e poder econômico estarão cada vez mais interligados.

[Fonte: El país]

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