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Ciência

Golfinhos estão vivendo menos — e a culpa é da pesca

Cientistas descobriram que golfinhos comuns estão morrendo mais cedo, e a causa é preocupante: capturas acidentais durante atividades pesqueiras no Golfo de Biscaia. A espécie Tursiops truncatus, uma das mais conhecidas do mundo, vive hoje cerca de sete anos a menos do que há três décadas.
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Eles são inteligentes, carismáticos e amados em todo o mundo — mas os golfinhos estão enfrentando uma crise silenciosa. Pesquisadores da Universidade do Colorado revelaram que as fêmeas da espécie Tursiops truncatus, popularmente conhecidas como golfinhos-comuns, estão vivendo significativamente menos do que antes. E a principal razão não é natural: é humana.

Captura acidental ameaça a sobrevivência da espécie

Golfinhos estão vivendo menos — e a culpa é da pesca
© Pexels

Durante o inverno, os golfinhos migram para o Golfo de Biscaia, entre a França e a Espanha, onde encontram fartura de peixes. O problema é que esse mesmo local é uma das áreas de pesca mais intensas da Europa, o que leva a um número alarmante de capturas acidentais — quando os animais acabam presos nas redes dos pescadores.

Segundo os pesquisadores, só em 2021, cerca de 6.900 golfinhos morreram vítimas dessas capturas, de uma população total estimada em 180 mil indivíduos na região. “Há uma necessidade urgente de gerenciar melhor a população”, alerta Etienne Rouby, do Instituto de Pesquisa Ártica e Alpina (INSTAAR). “Caso contrário, corremos o risco de declínio e, em última instância, de extinção.”

Nova forma de medir o declínio dos golfinhos

Os cientistas também descobriram que os métodos antigos de contagem de golfinhos estavam falhando. Até recentemente, os números eram estimados por observações aéreas e marítimas — uma tarefa difícil, já que os animais estão em constante movimento.

A equipe da Universidade do Colorado propôs um novo método: contabilizar os golfinhos encalhados. Embora esses casos representem apenas cerca de 10% das mortes totais, eles revelam tendências importantes na saúde populacional. Ao analisar dados de décadas, os pesquisadores identificaram uma redução de 2,4% no crescimento da população desde 1997 — um número preocupante, já que, em condições ideais, o aumento anual seria de até 4%.

Medidas de proteção ainda são insuficientes

Em janeiro, o governo francês chegou a proibir temporariamente a pesca no Golfo de Biscaia para proteger os golfinhos, mas os especialistas afirmam que a medida é limitada. “As restrições deveriam seguir o padrão de migração da espécie, que varia a cada ano”, explica Rouby.

Outras espécies, como o golfinho-roaz (também conhecido como nariz-de-garrafa), podem estar passando pelo mesmo problema. Além do impacto direto sobre os animais, a redução dos golfinhos ameaça todo o ecossistema marinho. “Eles são predadores essenciais. Sem eles, as populações de peixes podem explodir e desequilibrar a cadeia alimentar”, completa o pesquisador.

Um alerta que vai além dos oceanos

A queda na expectativa de vida dos golfinhos é mais do que uma questão ambiental — é um sinal de que o impacto humano nos mares está saindo do controle. A captura acidental e a sobrepesca afetam diretamente a biodiversidade e podem levar a consequências ecológicas profundas.

Enquanto o debate sobre medidas mais rígidas continua, os cientistas alertam: sem ação coordenada e políticas internacionais eficazes, espécies carismáticas como os golfinhos podem desaparecer mais rápido do que imaginamos.

[Fonte: Terra]

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