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Ciência

Comunicação com golfinhos está mais perto do que imaginamos

Após quatro décadas de estudos, uma equipe americana criou uma das maiores bibliotecas sonoras de golfinhos do mundo e foi reconhecida com um prêmio internacional. Usando tecnologia de ponta, eles conseguiram identificar sinais antes ignorados — e as descobertas podem transformar a comunicação entre humanos e animais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Comunicar-se com golfinhos há muito tempo fascina cientistas, mas agora um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos acaba de dar um passo significativo nessa direção. Com décadas de dedicação e um banco de dados impressionante, eles foram premiados com US$ 100 mil (cerca de R$ 563 mil) por avanços que aproximam a ciência de um possível “diálogo” com esses animais. O feito marca uma nova fase no entendimento da linguagem animal.

O projeto que ganhou destaque internacional

O enigma dos golfinhos pode estar perto de ser decifrado — e este grupo foi premiado por chegar mais perto
© Pexels

O reconhecimento veio com a segunda edição do Prêmio Coller-Dolittle para Comunicação Bidirecional entre Espécies, concedido pela Universidade de Tel Aviv em parceria com a Fundação Jeremy Coller. O vencedor foi o Programa de Pesquisa de Golfinhos de Sarasota, na Flórida — projeto considerado pioneiro no uso de tecnologias não invasivas para analisar sons emitidos por golfinhos-roaz (Tursiops truncatus).

Usando hidrofones e etiquetas acústicas acopladas por ventosas, os pesquisadores conseguiram mapear uma complexa estrutura de assobios, alguns dos quais funcionam como “nomes” individuais, enquanto outros ainda são pouco compreendidos. O acervo mais recente aponta para pelo menos 20 tipos distintos de assobios “sem assinatura”, ou seja, sons que não estão vinculados a um único indivíduo, mas que parecem ter funções específicas na comunicação entre os golfinhos.

Dois desses sons chamaram atenção especial: um pareceu provocar evasão, sugerindo um possível alarme; o outro desencadeou respostas em cadeia, como se marcasse um acontecimento inesperado.

As tecnologias por trás da descoberta

Segundo os organizadores do prêmio, o diferencial do projeto está no volume e na qualidade dos dados reunidos ao longo de 40 anos. “Ficamos impressionados com a riqueza do conjunto de dados. Acreditamos que esse trabalho ainda vai render muitos frutos importantes para a ciência”, afirmou Yossi Yovel, um dos jurados da premiação.

Jonathan Birch, outro integrante da banca avaliadora, ressaltou o potencial de avanço com o uso de inteligência artificial para interpretar essas gravações. Ele comparou o desafio à construção de modelos linguísticos humanos como o ChatGPT, que exigem trilhões de palavras para funcionar com precisão. “Ainda estamos muito longe de ter esse volume de dados para outras espécies. Mas essa pesquisa é um grande passo.”

O desafio de entender a linguagem animal

Além do prêmio principal, a competição oferecia um investimento adicional de até US$ 10 milhões (aproximadamente R$ 56 milhões) para a equipe que desenvolvesse um algoritmo capaz de permitir que um animal se comunicasse de forma autônoma, sem perceber que estava interagindo com um humano. A ideia é inspirada no teste de Turing — no qual um sistema de inteligência artificial deve convencer um humano de que também é humano.

Apesar de nenhuma equipe ter alcançado esse nível de sofisticação em 2025, os organizadores consideram que esse marco pode ser atingido nos próximos cinco anos.

A premiação recebida pelos cientistas do Programa de Pesquisa de Golfinhos de Sarasota mostra que a fronteira entre humanos e outras espécies pode estar se estreitando. A possibilidade de compreender — e talvez conversar com — golfinhos já não pertence apenas ao campo da ficção. Com o apoio de tecnologia de ponta e décadas de pesquisa, estamos cada vez mais próximos de traduzir os sons do oceano em linguagem compreensível. E isso pode mudar para sempre a forma como interagimos com o mundo animal.

[Fonte: Revista Galileu]

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