Durante anos, pesquisar no Google significou basicamente a mesma coisa: digitar palavras, receber links e procurar respostas. Mas isso começou a mudar de forma radical. No Google I/O 2026, a empresa revelou uma reformulação histórica do seu sistema de busca, agora impulsionado por inteligência artificial capaz de conversar, criar conteúdos e até executar tarefas sozinha. A apresentação deixou claro que o Google não quer mais apenas responder perguntas. A ambição agora é se tornar um assistente digital permanente.
O Google anunciou a maior mudança da Busca em 25 anos
O palco do Google I/O 2026, realizado em Mountain View, na Califórnia, serviu para um anúncio que a empresa descreveu como histórico. Sundar Pichai, CEO do Google, afirmou que a companhia está entrando oficialmente na chamada “era agêntica” da inteligência artificial.
Na prática, isso significa uma transformação profunda da Busca. O sistema deixará de funcionar apenas como uma ferramenta de pesquisa tradicional e passará a atuar como um agente inteligente, capaz de interpretar contexto, acompanhar tarefas contínuas e agir em nome do usuário.
Segundo o Google, a nova experiência será mais conversacional e personalizada. Em vez de pesquisar repetidamente por informações diferentes, a IA poderá compreender objetivos maiores e ajudar o usuário ao longo de todo o processo.
Gemini Spark, smart glasses, Gemini Omni, Search overhaul — here are some of the top announcements from Google at I/O 2026. #GoogleIO2026 #Google #Gemini #AI #TechNews pic.twitter.com/p6sDFINPp2
— Interesting Engineering (@IntEngineering) May 20, 2026
A empresa destacou o crescimento acelerado do AI Overviews, sistema de respostas geradas por IA que já ultrapassaria 2,5 bilhões de usuários ativos mensais. Já o AI Mode, apresentado como a evolução mais avançada da Busca até agora, teria alcançado mais de 1 bilhão de usuários em apenas um ano.
O recado do Google parece claro: a empresa acredita que o futuro da internet deixará de ser baseado em listas de links e passará a funcionar como uma conversa contínua entre humanos e inteligências artificiais.
Os novos agentes inteligentes querem fazer tarefas no lugar do usuário

Entre as novidades mais comentadas do evento está o Gemini 3.5, nova geração da IA do Google voltada para programação, automação e tarefas complexas. A companhia afirma que o modelo consegue atingir desempenho comparável aos principais concorrentes do mercado, mas operando com velocidade muito maior e menor custo.
Mas o centro da estratégia parece ser outro: os chamados “agentes de IA”.
Esses sistemas foram apresentados como assistentes capazes de agir de forma autônoma. O principal exemplo mostrado no evento foi o Gemini Spark, descrito como uma espécie de assistente pessoal permanente integrado ao Gmail, Chrome, Android e outros serviços do Google.
A proposta vai além de responder perguntas. O sistema poderá acompanhar tarefas em segundo plano, organizar atividades, resumir informações e até executar ações automaticamente.
O Google também mostrou avanços na multimodalidade com o Gemini Omni, ferramenta capaz de gerar conteúdo usando texto, áudio, vídeo e imagens ao mesmo tempo. A plataforma promete editar vídeos com comandos simples em linguagem natural, algo que antes exigia softwares profissionais e conhecimento técnico avançado.
A ideia por trás dessas mudanças é tornar a IA invisível no cotidiano, funcionando continuamente como uma camada inteligente integrada aos produtos mais usados da empresa.
YouTube, Docs e fotos também vão mudar com IA
O impacto da nova estratégia não ficará restrito à Busca. O Google anunciou mudanças em praticamente todo o seu ecossistema.
No por exemplo, chegará o “Ask YouTube”, recurso que identifica automaticamente o trecho mais relevante de um vídeo e leva o usuário diretamente até ele. A função tenta resolver um problema comum da plataforma: encontrar informações específicas em conteúdos longos.
Já no Google Docs, o novo “Docs Live” permitirá criar documentos completos usando apenas comandos de voz. A ferramenta utiliza IA para transformar instruções faladas em textos estruturados automaticamente.
Na parte visual, a empresa apresentou o Google Pics, plataforma de edição de imagens baseada em inteligência artificial. O sistema permitirá modificar objetos individualmente dentro de fotos e artes digitais sem necessidade de edições complexas.
Ao mesmo tempo, o Google reforçou medidas contra desinformação e deepfakes com a expansão do SynthID, tecnologia invisível de marcação de conteúdo gerado por IA. Segundo a empresa, gigantes como OpenAI, NVIDIA e ElevenLabs devem adotar o sistema.
O evento terminou deixando uma impressão difícil de ignorar: o Google não está apenas adicionando inteligência artificial aos seus produtos. A empresa parece determinada a reconstruir toda a experiência digital em torno dela.
[Fonte: CNN]