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Ciência

Guru é condenado à prisão por impor terapia que causou a morte de uma mulher

Hongchi Xiao foi condenado a 10 anos de prisão por homicídio culposo após a morte de Danielle Carr-Gomm, de 71 anos, que parou de aplicar insulina durante um dos workshops conduzidos por Xiao.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Xiao, praticante de medicina alternativa, pouco fez por sua cliente, que veio a falecer. No último fim de semana, um juiz do Reino Unido sentenciou Hongchi Xiao a 10 anos de prisão pelo homicídio culposo de Danielle Carr-Gomm, que deixou de aplicar insulina enquanto participava de um workshop onde Xiao promovia sua controversa “terapia de tapas”.

O júri considerou Xiao, de 61 anos, culpado de negligência que resultou na morte de Carr-Gomm. Alegadamente, Xiao não prestou ajuda adequada à mulher quando sua saúde piorou, afirmando a seus seguidores que ela estava passando por uma “crise de cura”. Este é o segundo caso de morte envolvendo a interrupção de insulina sob supervisão de Xiao, fato crucial para sua condenação.

Uma terapia controversa e perigosa

Xiao nasceu na China, mas vive na Califórnia e é o criador de uma prática que chama de Paida Lajin. Essa técnica afirma que as pessoas podem eliminar “resíduos tóxicos” do corpo ao se baterem em certas posições, frequentemente causando hematomas. Ele e seus seguidores, que o chamam de “mestre”, alegam que a prática pode tratar doenças como infecções, Alzheimer e autismo. Contudo, especialistas médicos rejeitam essas afirmações por falta de evidências científicas.

“Nada trará nossa mãe de volta”

De acordo com os promotores, Carr-Gomm foi diagnosticada com diabetes tipo 1 em 1999 e estava angustiada com a necessidade de injeções de insulina. Durante um workshop de Xiao na Bulgária, ela parou de tomar a medicação, adoecendo gravemente e precisando retomá-la. Mesmo assim, em um vídeo de depoimento, elogiou Xiao, chamando-o de “mensageiro enviado por Deus”.

Em outubro de 2016, durante um retiro na Inglaterra, Xiao parabenizou Carr-Gomm por anunciar que havia abandonado a insulina. Sua saúde rapidamente deteriorou: ela passou a vomitar e a expelir espuma pela boca. Xiao, no entanto, fez apenas um “esforço simbólico” para buscar ajuda médica, segundo os promotores.

“Você sabia, desde o primeiro dia, que Danielle Carr-Gomm havia interrompido a insulina”, disse o juiz Robert Bright durante a sentença no Tribunal de Winchester, de acordo com a AP. “E deixou claro que a apoiava nessa decisão.”

Histórico de casos fatais

Xiao foi extraditado da Austrália para enfrentar o julgamento. Lá, também havia sido condenado por homicídio em um caso semelhante envolvendo um menino de 6 anos. Em abril de 2015, os pais da criança, seguindo a orientação de Xiao em um workshop, interromperam o tratamento com insulina, resultando na morte do garoto. O tribunal australiano concluiu que Xiao havia instruído diretamente a mãe a suspender a medicação, mesmo com o agravamento da saúde da criança.

“Embora nada traga nossa mãe de volta, esperamos que este caso lance luz sobre os perigos de seguir terapias alternativas sem regulamentação ou investigação adequada”, declarou a família de Carr-Gomm.

A sentença total de Xiao no Reino Unido será de 15 anos, dos quais ele cumprirá 10 em regime fechado.

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