O mercado automotivo brasileiro ganhou nesta semana um novo capítulo: a chinesa Great Wall Motors (GWM) inaugurou oficialmente sua primeira fábrica nas Américas e no Hemisfério Sul, localizada em Iracemápolis (SP). A unidade, que no passado pertenceu à Mercedes-Benz, marca a estreia da produção local da montadora e confirma a chegada de três veículos “made in Brazil”.
Entre os primeiros modelos nacionais estão o SUV híbrido Haval H6, a picape Poer P30 e o SUV de sete lugares Haval H9 — todos voltados para segmentos em alta no país.
Estrutura e capacidade da fábrica
Com 1,2 milhão de m² de área total e 94 mil m² de área construída, a planta de Iracemápolis tem capacidade para produzir até 50 mil veículos por ano. Atualmente, 600 funcionários já estão contratados, número que deve subir para 1.000 até o fim de 2025.
A GWM aposta em um sistema produtivo chamado “part by part”, que garante maior nacionalização de peças e componentes desde o primeiro ano de operação. Segundo a empresa, 18 fornecedores brasileiros já estão integrados à cadeia. O processo é mais profundo que o tradicional CKD (Complete Knock Down) ou SKD (Semi Knock Down), adotado por concorrentes como a BYD em Camaçari (BA).
Durante a inauguração, jornalistas acompanharam parte da linha de montagem, onde cabines e chassis da Poer P30 já estavam em fase de produção.
Inovação e desenvolvimento local
Fabricado no Brasil, com orgulho! 🇧🇷
Estou hoje na inauguração da fábrica da GWM, em Iracemápolis. É mais indústria, mais emprego e mais tecnologia para o Brasil!
🚗✨ O Brasil está acelerando para o futuro!
🎥 @ricardostuckert pic.twitter.com/FC82VD2hyE
— Lula (@LulaOficial) August 15, 2025
Outro destaque do evento foi o anúncio da criação do primeiro Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da GWM na América do Sul, que funcionará ao lado da fábrica. A iniciativa reforça a estratégia de longo prazo da marca no Brasil, com foco em adaptar seus veículos às necessidades locais e desenvolver soluções energéticas inovadoras.
Entre os protótipos apresentados, chamaram atenção um caminhão movido a hidrogênio e a moto SOUO S2000 GL, ambos em estudo para futuros lançamentos no país.
O primeiro veículo nacional da linha foi um Haval H6 GT branco, finalizado em cerimônia que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do CEO global da GWM, Mu Feng, e de Parker Shi, presidente da GWM International.
Os primeiros modelos nacionais
Haval H6
Principal aposta da marca, o Haval H6 chega em quatro versões, todas com sistema híbrido. A potência pode chegar a 393 cv, como no modelo GT fabricado no Brasil. O SUV mira diretamente rivais como Toyota Corolla Cross e Jeep Compass, mas com proposta de desempenho superior e forte apelo tecnológico.
Poer P30
A nova picape média Poer P30 estreia em 2025 equipada com motor 2.4 turbodiesel e câmbio automático de nove marchas. O sistema de tração inteligente oferece três modos — 4×2, 4×4 High e 4×4 Low — para maior versatilidade em diferentes terrenos.
Com 5,41 m de comprimento, 1,94 m de largura e 1,88 m de altura, a Poer P30 promete espaço interno acima da média do segmento e uma caçamba generosa, posicionando-se como concorrente direta de Toyota Hilux, Chevrolet S10 e Ford Ranger.
Haval H9
Voltado para famílias grandes ou uso off-road, o Haval H9 é um SUV de sete lugares, também equipado com o conjunto 2.4 turbodiesel + câmbio de nove marchas. Suas dimensões reforçam a proposta de robustez: 4,95 m de comprimento, 1,97 m de largura e 1,93 m de altura.
O modelo chega para disputar espaço em um nicho ainda pouco explorado no Brasil, rivalizando com Mitsubishi Pajero Sport e Toyota SW4.
O impacto no mercado brasileiro
Com a fábrica de Iracemápolis, a GWM dá um passo importante para consolidar sua presença no Brasil e ganhar competitividade frente às montadoras já estabelecidas. A nacionalização da produção reduz custos, garante maior integração com fornecedores locais e facilita a expansão da marca na América do Sul.
Além disso, a chegada dos modelos híbridos e a aposta em combustíveis alternativos, como o hidrogênio, alinham a estratégia da empresa às tendências globais de descarbonização e mobilidade sustentável.
A movimentação reforça a disputa acirrada no setor, em um momento em que marcas chinesas ampliam rapidamente sua participação no mercado brasileiro.
[ Fonte: CNN Brasil ]