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Brasileiros deixam de resgatar até R$ 50 mil em benefícios de parentes falecidos

Um levantamento mostra que famílias brasileiras esquecem ou desconhecem direitos financeiros após a morte de um ente querido. Entre os valores mais negligenciados estão indenizações do DPVAT, benefícios trabalhistas e seguros de vida. O prejuízo médio pode variar de R$ 10 mil a R$ 50 mil por família.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Perder um parente próximo traz dor e burocracia. Em meio ao luto, muitas famílias brasileiras deixam de acessar valores que poderiam aliviar as finanças em um momento tão difícil. Segundo estudo da Planeje Bem, primeira plataforma digital dedicada ao planejamento sucessório e ao apoio pós-perda, o desconhecimento sobre os chamados “ativos invisíveis” resulta em prejuízos significativos.

Quais benefícios são esquecidos

De acordo com a pesquisa, os principais valores não resgatados são:

  • DPVAT (indenização por acidentes de trânsito): 40% dos casos

  • Auxílios e benefícios trabalhistas (FGTS, PIS/Pasep, férias, 13º, salários): 25% a 30%

  • Contas bancárias, investimentos e consórcios: 25%

  • Seguros de vida e acidentes pessoais: 20%

  • Seguros corporativos e previdência privada (PGBL/VGBL): 20%

  • Pensão por morte do INSS: 10%

Além disso, existem outros ativos menos divulgados, como auxílios-funeral (oferecidos por bancos e cartões, de R$ 2 mil a R$ 5 mil), milhas aéreas (até R$ 4 mil em perdas) e créditos em carteiras virtuais, que também acabam esquecidos.

Por que o dinheiro não é resgatado

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© Pexels – Daniel Dan

Segundo Carolina Aparício, diretora executiva da Planeje Bem, a principal razão é a falta de informação. “Muitas famílias acreditam que todos os bens devem passar pelo inventário, quando, na verdade, há valores que podem ser resgatados diretamente, desde que se saiba como e onde buscar”, explica.

O choque emocional após mortes inesperadas — especialmente em acidentes de trânsito — também contribui para o esquecimento. “A pessoa até sabe que tem direito ao DPVAT, mas adia a busca. Quando percebe, o prazo expirou”, acrescenta Carolina.

Perfis que mais esquecem

O estudo indica que homens jovens, de 25 a 45 anos, são os que mais negligenciam os ativos invisíveis, representando entre 65% e 70% dos casos. Muitas vezes, são filhos, netos ou sobrinhos que, após resolverem questões imediatas do funeral, retornam à rotina e deixam passar os prazos.

As mulheres aparecem em menor proporção, representando de 30% a 35% dos casos.

Questões trabalhistas e bancárias

Nos auxílios trabalhistas, quando há consenso entre os herdeiros, não é necessário esperar pelo inventário para sacar valores como FGTS ou PIS. Um simples alvará judicial já pode autorizar o resgate.

No caso de contas bancárias e investimentos, a criação do Sistema de Valores a Receber (SVR) do Banco Central facilitou a recuperação de recursos esquecidos. No entanto, problemas como beneficiários desatualizados — em casos de novos casamentos, por exemplo — ainda geram complicações. “Às vezes, a pessoa está no quarto casamento, mas o beneficiário continua sendo o primeiro”, observa Carolina.

Impacto financeiro e social

Além de deixarem de acessar recursos importantes, muitas famílias acabam recorrendo a empréstimos ou se endividando em meio ao luto. Para especialistas, a falta de informação e orientação financeira transforma a perda em um problema duplo: emocional e econômico.

“Esses valores poderiam ajudar no custeio do funeral, no equilíbrio das contas do lar e até em projetos de longo prazo. Mas, sem informação, acabam perdidos”, resume Carolina Aparício.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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