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Tecnologia

IBM e NASA criam IA para prever tempestades solares e evitar caos tecnológico

Uma supertempestade solar poderia derrubar satélites, travar GPS, interromper voos e até deixar cidades inteiras sem energia. Agora, a IBM e a NASA apresentaram Surya, um modelo de IA open source que promete prever esses eventos com horas de antecedência — e ajudar a proteger a infraestrutura tecnológica da Terra.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Uma IA para “prever o clima do espaço”

Disponível no Hugging Face, Surya é um modelo fundacional de código aberto criado para analisar imagens de alta resolução do Sol e prever erupções e tempestades solares com mais precisão do que nunca.

Segundo a NASA, a ferramenta pode detectar regiões ativas do Sol e antecipar chamas solares (flares) e eyeções de massa coronal — eventos capazes de danificar satélites, redes elétricas e sistemas de comunicação.

“Pense nisso como uma previsão do tempo para o espaço”, explicou Juan Bernabé-Moreno, diretor da IBM Research Europa. “Precisamos nos preparar para as tempestades solares da mesma forma que fazemos com furacões ou enchentes.”

Por que isso importa (muito)

Previsão Espacial
© NASA/Goddard/SDO

O Sol pode estar a 150 milhões de quilômetros de distância, mas seus efeitos são imediatos. Uma grande tempestade solar poderia causar:

  • Danos irreversíveis a satélites e sondas espaciais

  • Perda de GPS e interrupções em rotas de voos

  • Pane em redes elétricas e apagões em larga escala

  • Risco de radiação para astronautas e tripulantes de aviões

  • Queda na produção de alimentos, com a agricultura dependente do GPS

De acordo com a seguradora Lloyd’s, uma supertempestade poderia gerar perdas de até US$ 2,4 trilhões para a economia global em apenas cinco anos. E os sinais de alerta já estão por aí: eventos recentes derrubaram serviços GPS, forçaram desvio de voos e danificaram satélites em órbita.

Como funciona a IA da IBM e da NASA

Surya é IA científica de última geração, diferente dos modelos de texto como o ChatGPT. Ele foi treinado com nove anos de imagens de altíssima resolução do Solar Dynamics Observatory da NASA e combina várias tecnologias avançadas:

  • Deep Learning → redes neurais profundas para identificar padrões no Sol

  • CNNs + Transformers → as CNNs processam imagens; os Transformers analisam a evolução temporal das erupções

  • Modelos fundacionais multimodais → pré-treinado com dados solares massivos e ajustável para diferentes tarefas

  • Aprendizado supervisionado e auto-supervisionado → aprende sozinho padrões gerais e, depois, refina com dados anotados por físicos

  • Predições probabilísticas → em vez de “sim ou não”, indica níveis de risco para diferentes classes de tempestades (C, M ou X)

Essa combinação permite que Surya identifique regiões ativas no Sol e preveja visualmente uma erupção com até duas horas de antecedência, fornecendo imagens de alta resolução com localização exata do evento.

Avanço científico e código aberto

Treinar Surya foi um desafio enorme: as imagens usadas são 10 vezes maiores que os datasets de IA convencionais. Para lidar com esse volume, a IBM desenvolveu uma infraestrutura personalizada com suporte para GPUs e TPUs, garantindo processamento em larga escala sem perder eficiência.

Segundo Kevin Murphy, diretor de dados da NASA:

“Estamos integrando a experiência científica da NASA com modelos de IA de ponta. Isso nos permite entender melhor como o Sol impacta sistemas críticos na Terra, desde telecomunicações até energia elétrica.”

Além disso, a escolha de tornar Surya open source no Hugging Face abre caminho para que pesquisadores, universidades e startups criem novas aplicações científicas para diferentes setores, de telecomunicações à aviação.

Um futuro mais protegido (e colaborativo)

Bacterias Nasa
© NASA/Chris Gunn- Vía Gizmodo US

Surya não é um projeto isolado: ele faz parte de uma iniciativa maior da IBM e da NASA para desenvolver modelos fundacionais científicos. A família inclui, por exemplo, o Prithvi, focado em previsões meteorológicas e mudanças climáticas, também disponível no Hugging Face.

Essa abertura de dados e algoritmos reforça uma tendência: democratizar a IA científica para acelerar descobertas e criar soluções colaborativas para problemas globais.


Se uma supertempestade solar atingisse a Terra hoje, a internet, os satélites e até a aviação poderiam entrar em colapso. Com Surya, a ciência ganha uma arma poderosa para antecipar riscos. Mas será que estaremos prontos quando o Sol decidir nos testar? 

 

[ Fonte: Forbes ]

 

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