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Ciência

Ignorar a apneia do sono pode afetar seu cérebro: novo estudo liga o distúrbio ao risco de Parkinson

Um estudo com mais de 11 milhões de veteranos dos EUA revelou que pessoas com apneia obstrutiva do sono têm quase o dobro de risco de desenvolver Parkinson. A pesquisa, publicada na JAMA Neurology, indica ainda que o tratamento precoce com CPAP reduz significativamente essa probabilidade, reforçando a importância de diagnosticar e tratar o distúrbio.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio comum, muitas vezes subestimado, que compromete a qualidade do descanso e causa impactos sutis, porém cumulativos, no corpo. Agora, um novo estudo aponta uma conexão preocupante: a condição pode aumentar o risco de Parkinson, uma doença neurodegenerativa marcada pela perda gradual de neurônios. A boa notícia é que o tratamento adequado — especialmente o uso regular de CPAP — parece reduzir esse risco.

O que o estudo descobriu

Pesquisadores da Oregon Health & Science University analisaram prontuários médicos de cerca de 11 milhões de adultos atendidos pelo Departamento de Assuntos de Veteranos dos EUA entre 1999 e 2022. Aproximadamente 14% receberam diagnóstico de apneia obstrutiva do sono (OSA).

Os resultados foram claros:

  • pessoas com OSA tinham quase o dobro de risco de desenvolver Parkinson;

  • essa associação se manteve mesmo após ajustar para fatores como IMC, problemas vasculares e condições psiquiátricas;

  • a OSA emergiu como um fator de risco independente para a doença.

Embora os pesquisadores ressaltem que o estudo não prova causalidade direta, os dados reforçam a ligação já sugerida por pesquisas anteriores.

Por que a apneia do sono é tão perigosa?

A apneia obstrutiva do sono ocorre quando os músculos da via aérea bloqueiam temporariamente a respiração durante o sono. Esses episódios podem ocorrer dezenas ou centenas de vezes por noite, tirando o corpo do sono profundo para restaurar a respiração.

Entre seus efeitos mais nocivos estão:

A privação crônica de oxigênio pode prejudicar áreas do cérebro envolvidas na coordenação e no movimento — justamente as mais afetadas no Parkinson.

O papel protetor do CPAP

O estudo também comparou pacientes com apneia que foram ou não tratados com CPAP, aparelho que mantém a via aérea aberta por pressão positiva contínua.

Os resultados mostram que:

  • quem iniciou CPAP em até dois anos após o diagnóstico teve risco significativamente menor de desenvolver Parkinson;

  • o tratamento parece “normalizar” esse risco, reduzindo o impacto da apneia sobre o cérebro.

“Ter apneia do sono não significa que você vai desenvolver Parkinson”, afirmou Greg Scott, coautor do estudo. “Mas aumenta o risco — e o CPAP parece reduzi-lo de volta.”

Um alerta para diagnóstico e prevenção

A apneia do sono afeta cerca de um terço dos adultos nos EUA — e a prevalência é crescente em vários países, especialmente entre pessoas com sobrepeso, fumantes e homens acima dos 40 anos.

Os especialistas destacam que:

  • identificar sintomas como ronco intenso, pausas na respiração e sonolência excessiva é fundamental;

  • exames de polissonografia continuam sendo o padrão para diagnóstico;

  • o tratamento precoce melhora a saúde cardiovascular, cognitiva e agora, possivelmente, neurológica.

Conclusão: tratar a apneia é cuidar do cérebro

Mesmo que a relação direta entre apneia e Parkinson ainda exija mais estudos, as evidências apontam para um risco real — e para uma estratégia acessível de proteção: tratar a apneia, especialmente com CPAP.

Além de melhorar o sono, humor, energia e memória, o tratamento pode reduzir riscos de longo prazo e proteger a saúde cerebral.

 

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