Como funciona o novo “Seu algoritmo”
A ferramenta, chamada Seu algoritmo, aparece no canto superior direito do Reels. Ao tocar no ícone, o usuário encontra uma lista de interesses que o Instagram acredita serem relevantes, todos gerados a partir do uso diário. É quase como olhar o cérebro do app funcionando em tempo real.
Segundo a Meta, o recurso permite ajustar manualmente esses interesses: você pode marcar temas que quer ver mais, excluir assuntos que não importam e até digitar tópicos específicos para refinar o que aparece no feed de vídeos curtos. As recomendações mudam instantaneamente conforme o ajuste.
A novidade ainda está restrita aos Estados Unidos, mas a empresa afirma que o recurso será lançado globalmente em inglês nos próximos meses.
Transparência sob pressão

A decisão não vem do nada. Órgãos reguladores e especialistas pedem mais clareza sobre como algoritmos moldam o consumo de conteúdo — especialmente porque eles podem criar “câmaras de eco”, reforçando opiniões prévias ou amplificando material prejudicial.
Para as plataformas, no entanto, o algoritmo sempre foi o “ingrediente secreto” que mantém o usuário preso à tela. Por isso, abrir parte desse mecanismo é uma mudança significativa.
“Queremos dar maneiras mais significativas de controlar o que você vê”, afirmou o Instagram. A empresa diz estar “liderando o caminho” em transparência e planeja levar o recurso para outras áreas do app.
Controle do algoritmo vira tendência global
Enquanto o Instagram tenta dar mais autonomia ao usuário, o debate sobre regulação avança em outros países. Nesta semana, entrou em vigor na Austrália uma lei inédita que proíbe menores de 16 anos de acessar redes sociais. O governo afirma que a medida busca proteger crianças de “algoritmos predatórios” e recuperar o controle diante das big techs.
Mais controle ou só mais um ajuste?
A abertura do algoritmo do Reels representa uma mudança importante na relação entre usuário e plataforma. Ainda não está claro o quanto esse controle realmente afeta o funcionamento interno do sistema, mas a iniciativa revela uma tendência: apps sendo pressionados — e obrigados — a explicar melhor o que fazem com nossas escolhas.
À medida que o recurso se expande pelo mundo, muita gente deve se surpreender ao descobrir como o algoritmo enxerga seus interesses. E mais ainda ao perceber o quanto isso pode mudar com poucos toques.
[Fonte: G1 – Globo]