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Ciência

Instituto Butantan inaugura espaço dedicado a uma das cobras mais raras do Brasil

O novo laboratório do Instituto Butantan abre as portas ao público e se torna um centro de preservação para a jararaca-ilhoa, uma espécie única e ameaçada de extinção.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Conhecida como Ilha das Cobras, a Ilha da Queimada Grande, no litoral sul de São Paulo, abriga uma das maiores concentrações de serpentes do mundo. Entre elas, destaca-se a jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), uma espécie endêmica e ameaçada de extinção. Agora, esse animal icônico tem um espaço dedicado à sua conservação no Instituto Butantan. A nova sede do Laboratório de Ecologia e Evolução (LEEv), inaugurada em fevereiro, recebe visitantes e funciona como um centro de pesquisa voltado para a preservação de serpentes insulares.

Com mais de mil metros quadrados, o LEEv concentra esforços para a proteção de répteis ameaçados, em especial aqueles originários de ilhas costeiras. Do total, 250 metros quadrados são destinados exclusivamente à jararaca-ilhoa, que ganhará um viveiro especializado. O ambiente ainda está em fase de adaptação, aguardando o crescimento da vegetação para oferecer um habitat adequado à espécie.

Um novo espaço para pesquisa e conservação

O LEEv não se limita à jararaca-ilhoa. O laboratório abriga também um reptário com diversas serpentes, incluindo a caninana (Spilotes pullatus), além de quelônios e lagartos nativos e exóticos. Instalado dentro do complexo do Instituto Butantan, o espaço reúne quatro blocos de pesquisa independentes, reforçando sua importância científica.

O viveiro dedicado à jararaca-ilhoa é o primeiro criadouro científico do país voltado à conservação dessa espécie. Como a serpente tem comportamento arborícola, o ambiente precisa ser cuidadosamente planejado, com tocas e áreas sombreadas para incentivar seu comportamento natural.

Visitação guiada: conheça de perto esse projeto

Os visitantes podem explorar o laboratório em passeios guiados que incluem passarelas suspensas e diversas áreas de observação. O roteiro inclui:

  • Terrários científicos: Exposição de diferentes espécies de serpentes, incluindo a jararaca-ilhoa.
  • Sala de bem-estar animal: Espaço que abriga até cinco jiboias (Boa constrictor) e apresenta informações sobre boas práticas de manejo.
  • Plataforma central: Área que reúne o novo reptário, com espécies nativas e exóticas, como jabutis e cágados.
  • Viveiro da jararaca-ilhoa: Última parada do passeio, onde os visitantes podem conhecer mais sobre os esforços de conservação da espécie.

Paulo Nico Monteiro, pesquisador e diretor do LEEv, destaca que um dos objetivos do espaço é conscientizar o público sobre a importância da conservação da fauna. “Queremos desestimular a compra de animais silvestres, visto que muitos dos que estão aqui foram resgatados de apreensões ou abandonos”, afirmou.

As visitas acontecem de terça a sexta-feira, com sessões em quatro horários, das 10h às 15h. O agendamento deve ser feito pelo site do Parque da Ciência.

A jararaca-ilhoa: uma espécie única

A jararaca-ilhoa é um exemplo fascinante de evolução e adaptação. Sua origem está ligada a um processo de especiação geográfica, que ocorre quando populações de uma mesma espécie se isolam devido a barreiras naturais. No caso da Bothrops insularis, sua separação do continente ocorreu há cerca de 10 mil anos, após o fim da era glacial.

Com o aumento do nível do mar, populações ancestrais de jararacas ficaram isoladas na Ilha da Queimada Grande. Nesse novo ambiente, a seleção natural favoreceu mutações específicas, dando origem a uma serpente única, adaptada ao habitat insular.

Como agendar uma visita ao LEEv

  • Inscrições: Acesse o site do Parque da Ciência.
  • Dias e horários: De terça a sexta-feira (exceto feriados), com sessões às 10h, 11h, 13h e 15h.
  • Local: Parque da Ciência – Av. Vital Brasil, 1500. O LEEv fica na Rua Adolfo Lutz, 1100.
  • Entrada: Gratuita, mediante inscrição prévia.

O LEEv se posiciona como um centro de referência na conservação ex situ (fora do habitat natural) de serpentes insulares brasileiras, com um programa pioneiro de reprodução e preservação. A iniciativa reforça a importância da ciência na proteção da biodiversidade e na conscientização ambiental.

[Fonte: Revista Galileu]

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