O Brasil está diante de uma oportunidade única: tornar-se um polo de inovação na América Latina e no cenário global. Para isso, será essencial integrar a inteligência artificial de forma estratégica nos negócios. A visão é de Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil, que participou do Web Summit Rio, destacando o papel do país na nova era tecnológica.
Uma aposta de longo prazo
"A IA está transformando o comércio varejista – desde a personalização da experiência do cliente até a otimização das operações", comenta Jose Luis Ortiz. É hora de fazer parte desse movimento: https://t.co/E7D9vQbniL pic.twitter.com/t2tjV4iMfp
— Microsoft Brasil (@MicrosoftBr) May 1, 2025
Durante o painel “Aposta da Microsoft no Brasil”, Priscyla reforçou que o compromisso da empresa com o país não é recente, mas agora se intensifica. A Microsoft, que atua há 35 anos no Brasil, anunciou em setembro um investimento histórico de R$ 14,7 bilhões em três anos, voltado para infraestrutura de nuvem e inteligência artificial — o maior já feito pela companhia no país.
Segundo a executiva, o Brasil tem um diferencial competitivo: a população é aberta à adoção de novas tecnologias.
— O brasileiro é early adopter, se adapta rápido a inovações. Isso abre um campo enorme para o crescimento tecnológico — afirmou.
IA como motor da competitividade
A aposta da Microsoft é clara: soluções de inteligência artificial — especialmente as baseadas em machine learning e IA generativa — podem tornar as empresas brasileiras mais competitivas internacionalmente. A combinação entre agilidade na adoção e investimento em infraestrutura pode impulsionar o país a um novo patamar.
Priscyla também defende que a IA não veio para substituir o profissional humano, mas para amplificar suas capacidades. Para ela, os trabalhadores do futuro precisarão desenvolver criatividade, pensamento crítico e capacidade de resolver problemas complexos — justamente as áreas onde a tecnologia se torna parceira.
Os desafios da transformação digital
Apesar do otimismo, a presidente da Microsoft Brasil reconhece dois grandes obstáculos no caminho das empresas: governança de dados e capacitação de profissionais.
A ausência de regras claras sobre o uso e a proteção de dados é uma das principais preocupações das empresas que estão começando a explorar soluções baseadas em IA.
— As companhias têm receio de que seus dados sejam utilizados fora do ambiente autorizado. É preciso estabelecer rótulos, níveis de acesso e regras de negócio claras — explicou. — Imagine se informações salariais internas vazam por falta de controle? Isso pode gerar sérios problemas.
Para mitigar esses riscos, Priscyla defende um ambiente digital com estruturas robustas de segurança e governança, algo que ainda está em desenvolvimento em muitas organizações brasileiras.
Qualificação: o fator-chave
Outro ponto de atenção é a formação de talentos. Mesmo com o avanço das tecnologias, a falta de profissionais capacitados pode frear o crescimento do setor.
A Microsoft anunciou, em dezembro, a meta de treinar 5 milhões de brasileiros em IA. Menos de um ano depois, 2,4 milhões já foram capacitados — um resultado promissor, mas que ainda precisa avançar.
— Temos um bom número, mas ainda é só o começo. Se não acompanharmos esse movimento, vamos perder o trem da inovação — alertou Priscyla. — Nosso compromisso é contribuir com o país e com a formação de uma força de trabalho preparada para o futuro.
Um novo perfil profissional
Para a executiva, o profissional que se destacará nos próximos anos será aquele que souber trabalhar em parceria com a IA. A tecnologia não eliminará empregos, mas transformará profundamente a maneira como as pessoas atuam em suas áreas.
— Temos que reaprender. Os empregos do presente e do futuro exigirão novas habilidades, e a IA está aqui para nos ajudar a chegar lá — concluiu.
Fonte: Época Negocios