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Ciência

James Webb bate um novo recorde histórico: um buraco negro supermassivo mais antigo do que a ciência acreditava possível

Observações combinadas do Telescópio Espacial James Webb e do radiobservatório ALMA revelaram o buraco negro supermassivo ativo mais antigo já identificado. Ele já existia apenas 350 milhões de anos após o Big Bang — tão cedo que desafia completamente os modelos atuais de formação galáctica e o próprio entendimento sobre os primeiros instantes do cosmos.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Desde que o James Webb começou a observar o universo profundo, nossa visão do cosmos deixou de ser confortável e previsível. Cada nova descoberta parece desmontar mais uma hipótese antes dada como certeira. Agora, o telescópio encontrou um candidato que estabelece um novo recorde cósmico: um buraco negro supermassivo ativo no coração da galáxia GHZ2/GLASS-z12. O mais surpreendente não é sua distância, mas sua idade — tão precoce que não deveria existir tão cedo na história do universo.

Um gigante gravitacional precoce demais

O buraco negro identificado em GHZ2 teria se formado apenas 350 milhões de anos após o Big Bang, quando o universo ainda era jovem, caótico e cheio de gás primordial. Segundo os modelos clássicos, simplesmente não haveria tempo suficiente para que um objeto tão massivo pudesse crescer a esse ponto. Mesmo assim, ele está lá — engolindo matéria em ritmo extremo e emitindo radiação como um autêntico Núcleo Galáctico Ativo.

Esse fato obriga a repensar como os primeiros buracos negros surgiram e evoluíram. Talvez os processos iniciais tenham sido muito mais rápidos, violentos e eficientes do que imaginávamos.

Como o James Webb e o ALMA confirmaram a descoberta

Buraco Negro (3)
© Credits: NASA/ESA/D. Coe, J. Anderson, and R. van der Marel (STScI)

A identificação inicial foi feita pelo James Webb através de espectros no infravermelho profundo. Para confirmar a distância e a natureza da galáxia, os astrônomos recorreram ao observatório ALMA no Chile.
O ponto decisivo foram linhas de emissão de carbono ionizado extremamente intensas, muito mais fortes do que estrelas jovens conseguem produzir sozinhas. Essa energia extra só pode vir de um buraco negro supermassivo ativo alimentando-se brutalmente de gás ao seu redor.

O problema: ele é grande demais e jovem demais

Aqui está o verdadeiro paradoxo. No universo próximo, o buraco negro central costuma representar cerca de 0,1% da massa estelar da galáxia. Em GHZ2, essa proporção pode chegar a 5%, um valor absurdamente maior do que o esperado.

Para explicar isso, os cientistas trabalham com dois cenários principais:

 Semillas leves

Buracos negros nascem da morte das primeiras estrelas e crescem lentamente.
  Problema: não há tempo suficiente para atingir tamanha massa em apenas 350 milhões de anos.

Semillas pesadas

Nuvens gigantes de gás colapsam diretamente no buraco negro, sem etapa estelar.
O novo achado aponta fortemente para este modelo — ou para fases de crescimento super-Eddington, onde o buraco negro devora matéria mais rápido do que a física tradicional admite.

Um novo recorde que empurra nossa visão do início do universo

O recorde anterior pertencia à galáxia UHZ1, observada 470 milhões de anos após o Big Bang. GHZ2 retrocede o marco em mais de 100 milhões de anos, aproximando-nos perigosamente do momento em que o próprio universo começou a organizar sua matéria.

A mensagem é clara: o cosmos primitivo não foi suave, lento ou gradual. Ele foi explosivo, acelerado e extremamente produtivo — fabricando galáxias e buracos negros em velocidades que só agora começamos a compreender.

 

[ Fonte: Xataka ]

 

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