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Ciência

Japão libera tratamento experimental que usa células-tronco no cérebro

Uma terapia inovadora que utiliza células-tronco para tratar sintomas do Parkinson recebeu autorização inédita. A decisão abre um novo caminho científico que pode transformar o tratamento da doença.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante décadas, cientistas buscaram novas formas de tratar doenças neurológicas degenerativas. Entre elas, o Parkinson permanece como um dos maiores desafios da medicina moderna. Embora medicamentos consigam aliviar parte dos sintomas, muitos pacientes deixam de responder às terapias ao longo do tempo. Agora, uma decisão histórica tomada por autoridades de saúde pode marcar o início de uma nova etapa no combate à doença.

O primeiro tratamento com células-tronco autorizado para Parkinson

Uma nova terapia experimental baseada em células-tronco acaba de receber autorização condicional para uso em pacientes com doença de Parkinson.

A aprovação representa um marco na medicina regenerativa, já que se trata do primeiro tratamento do mundo desse tipo voltado para essa doença neurológica.

A autorização foi concedida pelas autoridades de saúde do Japão, que permitiram a utilização da terapia de forma temporária e sob monitoramento rigoroso.

O tratamento foi desenvolvido pela farmacêutica Sumitomo Pharma, com base em pesquisas realizadas no Hospital Universitário de Kyoto.

A proposta é voltada principalmente para pacientes que não respondem adequadamente às terapias medicamentosas tradicionais.

O método utiliza um tipo especial de célula chamado célula-tronco pluripotente induzida, conhecida pela sigla iPSC.

Essas células são criadas a partir de células adultas comuns que passam por um processo de reprogramação genética.

Esse processo faz com que elas retornem a um estado semelhante ao das células embrionárias, capazes de se transformar em diversos tipos de tecidos.

No caso do tratamento para Parkinson, essas células são transplantadas diretamente no cérebro do paciente.

A expectativa é que elas possam substituir neurônios danificados e ajudar a restaurar funções motoras comprometidas pela doença.

Como funciona a nova terapia experimental

O Parkinson é uma doença neurodegenerativa que afeta principalmente o controle dos movimentos.

Ela ocorre quando neurônios responsáveis pela produção de dopamina, um neurotransmissor essencial para o controle motor, começam a morrer.

Com a redução dessa substância no cérebro, surgem sintomas característicos da doença, como:

  • tremores involuntários
  • rigidez muscular
  • lentidão nos movimentos
  • dificuldades de equilíbrio

A nova terapia busca atacar justamente a origem do problema.

Ao transplantar células-tronco reprogramadas no cérebro, os pesquisadores esperam que essas células consigam se diferenciar em neurônios produtores de dopamina.

Se isso acontecer de forma eficiente, elas poderiam compensar parte da perda neuronal causada pela doença.

A autorização concedida pelas autoridades japonesas é considerada condicional, o que significa que o tratamento ainda está em fase de avaliação.

A farmacêutica responsável deverá conduzir um estudo clínico pós-comercialização, além de manter um sistema de monitoramento contínuo de segurança dos pacientes.

Esse processo é conhecido como farmacovigilância, e serve para avaliar possíveis efeitos colaterais e confirmar a eficácia do tratamento em um número maior de pessoas.

Os resultados iniciais que chamaram atenção dos cientistas

Os primeiros resultados da pesquisa foram divulgados em abril do ano passado em um estudo publicado na revista científica Nature.

O ensaio clínico acompanhou sete pacientes com idade entre 50 e 69 anos.

Todos receberam o transplante das células-tronco e foram monitorados durante 24 meses.

Os dados iniciais mostraram resultados considerados promissores.

Segundo os pesquisadores:

  • não foram registrados eventos adversos graves relacionados ao tratamento
  • foram observados 73 efeitos colaterais leves a moderados

Além disso, alguns pacientes apresentaram melhora dos sintomas motores.

Entre os participantes do estudo:

  • quatro pacientes mostraram melhora mesmo sem outras medicações
  • cinco apresentaram melhora quando o tratamento foi combinado com medicamentos tradicionais

Embora os resultados ainda sejam preliminares, eles indicam que a terapia pode representar uma nova abordagem para tratar o Parkinson.

Especialistas ressaltam que estudos maiores ainda serão necessários para confirmar os benefícios da técnica.

Mesmo assim, a decisão de autorizar o tratamento marca um momento importante na pesquisa médica.

Se as próximas fases confirmarem os resultados iniciais, terapias baseadas em células-tronco poderão abrir novas possibilidades não apenas para o Parkinson, mas também para outras doenças neurodegenerativas.

Fonte: Metrópoles

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