Receber uma encomenda em casa já virou parte da rotina de milhões de brasileiros. Mas o que acontece depois que a caixa vai para o lixo pode representar um risco pouco percebido.
As etiquetas de entrega, comuns em compras online, carregam informações pessoais que, se descartadas sem cuidado, podem cair nas mãos erradas. Diante disso, especialistas e empresas têm reforçado a importância de um hábito simples: destruir ou remover esses dados antes de jogar a embalagem fora.
O que está escondido nas etiquetas
As etiquetas de encomendas não servem apenas para logística. Elas costumam incluir dados sensíveis como nome completo, endereço, telefone e, em alguns casos, até CPF ou códigos que dão acesso à nota fiscal.
Essas informações, embora pareçam inofensivas isoladamente, podem ser extremamente valiosas quando combinadas.
Segundo especialistas em cibersegurança, criminosos utilizam esses dados para validar abordagens e tornar golpes mais convincentes. Quando alguém entra em contato já sabendo detalhes pessoais, a chance de a vítima confiar aumenta significativamente.
Por que isso virou um problema real
O crescimento das compras online ampliou o volume de dados circulando fisicamente. Diferente das informações digitais, que costumam ter algum nível de proteção, os dados impressos em embalagens ficam expostos após o descarte.
No Brasil, o cenário preocupa. Um relatório da empresa DeepStrike apontou que o país esteve entre os mais afetados por ataques cibernéticos em 2025.
Especialistas explicam que os criminosos utilizam técnicas de engenharia social — estratégias que exploram a confiança e o comportamento humano para obter informações ou dinheiro.
Nesse contexto, uma simples etiqueta pode se transformar em uma porta de entrada para fraudes.
Os golpes mais comuns com esses dados
Com acesso às informações de uma embalagem, criminosos conseguem montar abordagens bastante convincentes.
Entre os golpes mais frequentes estão:
Vishing (golpe por ligação): o criminoso se passa por atendente de banco ou loja, menciona dados reais da entrega e tenta obter senhas ou códigos.
Phishing direcionado: mensagens personalizadas por WhatsApp ou e-mail prometendo descontos ou resoluções de problemas com pedidos, levando a links maliciosos.
Roubo de identidade: os dados podem ser combinados com vazamentos online para abrir contas bancárias ou solicitar crédito em nome da vítima.
Essas práticas se tornam ainda mais perigosas porque partem de informações reais, o que reduz a desconfiança.
Um gesto simples que pode evitar problemas
Diante desse cenário, campanhas como “Raspe seus Dados” surgiram para conscientizar consumidores sobre a importância de proteger suas informações também no mundo físico.
A recomendação principal é clara: nunca descartar embalagens com etiquetas intactas.
Rasgar, cortar ou apagar completamente os dados impede que eles sejam reutilizados por terceiros. Mesmo ações simples, como usar uma caneta para borrar informações ou remover a etiqueta, já ajudam a reduzir riscos.
Proteção vai além do digital
Outro ponto importante é a atenção a contatos inesperados. Ligações ou mensagens solicitando dados pessoais ou pagamentos relacionados a entregas devem sempre ser vistas com desconfiança.
A orientação é encerrar o contato e buscar confirmação apenas em canais oficiais das empresas.
Especialistas reforçam que a proteção de dados não se limita ao ambiente digital. Informações impressas também precisam ser tratadas com o mesmo cuidado que senhas ou dados bancários.
Uma mudança de hábito necessária
Com a digitalização da vida cotidiana, a segurança da informação se tornou uma responsabilidade contínua. E isso inclui desde proteger contas online até cuidar do que vai para o lixo.
O descarte consciente de embalagens é um pequeno ajuste na rotina, mas que pode fazer grande diferença.
Em um cenário onde golpes estão cada vez mais sofisticados, detalhes aparentemente banais — como uma etiqueta esquecida — podem ser o ponto de partida para problemas maiores.
[ Fonte: CNN Brasil ]