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Ciência

Jurassic Park da vida real? Fósseis de âmbar com insetos são achados no Equador

Cientistas encontraram pela primeira vez na América do Sul fósseis de âmbar com insetos de 120 milhões de anos. A cena parece saída de Jurassic Park, mas é ciência de verdade — e tem até brasileiro na equipe.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Pesquisadores localizaram no Equador dezenas de amostras de âmbar preservando moscas, besouros, vespas, formigas e até fragmentos de teias de aranha. O estudo, publicado na revista Nature, mostra que esse material data do período Cretáceo, cerca de 120 milhões de anos atrás, quando o supercontinente Gondwana começava a se fragmentar.

É a primeira vez que fósseis de âmbar aparecem em tanta abundância no hemisfério sul. Até então, a maioria dos registros vinha do norte do planeta.

Brasil na pesquisa

Jurassic Park da vida real? Fósseis de âmbar com insetos são achados no Equador
© https://x.com/CRCpaleos/

O brasileiro Marcelo Carvalho, do Museu Nacional, foi um dos responsáveis pela análise dos pólens encontrados nos fósseis. Especialista em Palinologia — o estudo de pólens e esporos fósseis —, ele ajudou a confirmar a idade do material e a reconstruir como era a flora da época.

“É a primeira vez que se encontra esse tipo de material em grande quantidade e com essa idade. A importância está em entender como eram as florestas naquele momento”, explicou Carvalho.

Do cinema para a ciência

Jurassic Park da vida real? Fósseis de âmbar com insetos são achados no Equador
© https://x.com/TNoticiasMexic1

O achado lembra imediatamente o enredo de Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros, em que cientistas recriam dinossauros a partir de insetos presos em âmbar. Mas calma: na vida real, o DNA não sobrevive milhões de anos. Esses fósseis não vão trazer tiranossauros de volta, mas oferecem pistas preciosas sobre a evolução da vida e do clima.

Clima e floresta amazônica

Segundo os pesquisadores, esse período foi crucial para o surgimento do clima úmido que moldou a região equatorial. É nesse contexto que se formaram as bases das atuais florestas sul-americanas, incluindo a Amazônia.

Os fósseis foram gerados a partir da resina de araucárias, árvores que ainda existem hoje e continuam produzindo o líquido que, com o tempo, vira âmbar.

Testemunhas do tempo

Foram mais de 60 amostras coletadas, cada uma guardando pequenos animais que conviveram com dinossauros antes de ficarem presos na resina. São como cápsulas do tempo, testemunhando a história da Terra.

Além do brasileiro, participaram cientistas da Argentina, Colômbia, Alemanha, Espanha, Suécia, Panamá, Estados Unidos e Equador. A coordenação do estudo ficou com o pesquisador espanhol Xavier Delclòs.

A descoberta de fósseis de âmbar no Equador abre um novo capítulo para entender a evolução da Amazônia e mostra como até os menores insetos podem guardar respostas gigantes sobre o planeta. Quem diria que um besouro fossilizado poderia contar tanto quanto um dinossauro?

[Fonte: CNN Brasil]

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