Participar de uma missão espacial já é um feito impressionante. Mas quando essa missão reúne apenas mulheres — algo que não acontecia há mais de seis décadas —, ela ganha contornos históricos. Foi exatamente o que aconteceu com Katy Perry e outras cinco mulheres que embarcaram em um voo da Blue Origin. O que era para ser uma ação promocional se transformou em um poderoso símbolo de representatividade e inspiração.
Um pouso emocionante e cheio de significado
No dia 14 de abril de 2025, Katy Perry foi a segunda tripulante a sair da cápsula da Blue Origin após o pouso no deserto do Texas. Visivelmente emocionada, ajoelhou-se e beijou o chão com uma margarida na mão, em homenagem à sua filha Daisy. “Estou muito grata por representar uma mulher corajosa na minha família”, declarou em um vídeo divulgado antes do voo. A cantora afirmou que dedicou a missão à mãe, à irmã e, principalmente, à sua filha de quatro anos.
O lançamento, realizado às 8h30 (horário local), foi parte do programa New Shepard da empresa de Jeff Bezos. A bordo estavam, além de Perry, a apresentadora Gayle King, Lauren Sánchez (companheira de Bezos), a cientista Amanda Nguyễn, a engenheira aeroespacial Aisha Bowe e a produtora Kerianne Flynn. Durante cerca de 10 minutos, a cápsula cruzou a linha de Kármán — o limite reconhecido do espaço —, permitindo às tripulantes vivenciar alguns momentos de ausência de gravidade.
Glamour, ciência e representatividade
Apesar de o objetivo não ser científico, a missão teve forte impacto simbólico. Foi a primeira vez desde 1963 que um grupo exclusivamente feminino foi ao espaço. Em entrevista à revista Elle, Katy Perry revelou que sonhava com essa viagem há quase 20 anos e queria “levar glamour ao espaço”. Disse também que ama astronomia e astrologia, e espera que sua participação incentive meninas a sonharem alto — literalmente.
A bordo também estavam mulheres com carreiras notáveis na ciência. Amanda Nguyễn, indicada ao Prêmio Nobel da Paz por sua atuação em direitos humanos, e Aisha Bowe, ex-funcionária da NASA e fundadora de uma empresa aeroespacial, destacaram a importância de ampliar a presença feminina no setor. Hoje, apenas 11% das pessoas que já viajaram ao espaço são mulheres, segundo a Forbes.
O preço (alto) de tocar as estrelas
Viajar com a Blue Origin é algo reservado para poucos. Segundo o site Quartz, o custo estimado por assento pode chegar a 1,25 milhão de dólares. No entanto, nem todos os passageiros pagam: muitos são escolhidos com base em seu “capital social”, como explicou Roman Chiporukha, cofundador da SpaceVIP, ao Observer.
A presença de celebridades é uma estratégia já conhecida da empresa. Desde 2021, nomes como William Shatner (ator de Star Trek) e o ex-jogador da NFL Michael Strahan já participaram das missões. O próprio Jeff Bezos inaugurou os voos tripulados levando o irmão e um jovem de 18 anos após um leilão milionário.
Uma jornada para entrar na história
Além do gesto emocionado ao tocar o solo texano, Katy Perry também cantou um trecho da clássica “What a Wonderful World” de Louis Armstrong durante o voo. A imagem das tripulantes beijando o chão, transmitida ao vivo pela empresa, viralizou nas redes sociais e transformou a missão em um evento global.
O voo marcou mais do que um feito tecnológico: foi um chamado para uma nova era, onde mulheres ocupam também o espaço — e não só no sentido figurado.
Fonte: Infobae