A presença de Luiz Inácio Lula da Silva em Moscou nesta semana despertou debates acalorados. Convidado por Vladimir Putin para uma cerimônia histórica, o presidente brasileiro aproveitou o encontro para defender a ampliação do cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia. Apesar do gesto diplomático, sua visita foi alvo de críticas internas e externas, com questionamentos sobre o alinhamento do Brasil em meio a uma guerra que já dura três anos.
O apelo por uma trégua mais longa
Lula se reuniu com Vladimir Putin na sexta-feira (9) no Kremlin, onde reiterou o pedido da Ucrânia por um cessar-fogo mais extenso — desta vez, de até 90 dias. A Rússia havia anunciado uma trégua unilateral de três dias, iniciada no dia 8 e prevista para terminar neste sábado (10), como parte das homenagens à vitória sobre a Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial.
Fontes do governo brasileiro afirmam que Lula reforçou o desejo de ver essa pausa prolongada. “Queremos paz. É importante para todos: Rússia, Ucrânia, Estados Unidos e União Europeia”, declarou o presidente a jornalistas antes de embarcar para a China.
Uma viagem que causou incômodo
Apesar do discurso pela paz, a ida de Lula à capital russa foi mal recebida por Kiev e por setores da diplomacia brasileira. Sua presença nas comemorações dos 80 anos da vitória soviética foi interpretada como um gesto político que beneficia a imagem internacional da Rússia, mesmo diante das críticas globais por sua atuação na guerra.
Especialistas destacam que a participação de Lula — o único líder de uma grande democracia presente na cerimônia — pode ser interpretada como uma sinalização de apoio implícito a um regime autoritário. Ele esteve ao lado de figuras como Xi Jinping (China), Nicolás Maduro (Venezuela) e Miguel Díaz-Canel (Cuba), todos criticados por violações democráticas.
Putin não respondeu ao apelo

Embora tenha elogiado o papel diplomático do Brasil, Vladimir Putin não respondeu diretamente ao pedido de Lula pela ampliação da trégua. Diplomatas brasileiros confirmaram que o presidente russo se mostrou cordial, mas não sinalizou nenhuma mudança de postura em relação à guerra.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que Lula reforçou o papel do Brasil como mediador, colocando-se à disposição para ajudar nas negociações de paz, inclusive por meio do “Grupo de Amigos da Paz”, iniciativa criada por Brasil e China na ONU com apoio de países do Sul Global.
Apoio internacional à proposta
O Putin agradecendo ao Lula por contribuir na proposta de Paz na guerra contra a Ucrânia.
pic.twitter.com/wL4GMCa3vC— Malu (@mariarita4141) May 9, 2025
A defesa de um cessar-fogo mais duradouro não veio apenas do Brasil. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também manifestou apoio à proposta, pedindo um “cessar-fogo total e incondicional de 30 dias” entre Rússia e Ucrânia.
Segundo ela, essa pausa poderia abrir caminho para um processo real de negociações de paz. Contudo, a resistência de Moscou em aceitar pré-condições e o histórico de ataques contínuos torna incerto qualquer avanço imediato.
Um gesto simbólico com repercussões reais
Lula agora segue viagem à China, onde se reunirá com o presidente Xi Jinping. Mesmo sem resposta oficial de Putin, seu apelo reforça o esforço do Brasil em manter-se ativo como mediador em conflitos globais, ainda que enfrente desafios diplomáticos ao equilibrar neutralidade e posicionamento ético.
Durante visita à Rússia, Lula fez um apelo direto a Vladimir Putin por um cessar-fogo mais duradouro na guerra com a Ucrânia. Embora elogiado, o pedido não foi respondido. A iniciativa brasileira, no entanto, soma-se a vozes internacionais que clamam por uma trégua real e negociações efetivas pela paz.
Fonte: G1.Globo