Localizada na Praia de Pernambuco, uma das áreas mais nobres do Guarujá, a mansão ocupa cerca de 4.000 m² de terreno e 2.000 m² de área construída. O imóvel inclui piscina com bar molhado, playground, quadra de futebol e quadra de tênis, onde Pelé costumava treinar e receber amigos.
A residência foi adquirida nos anos 1980, quando o Rei do Futebol passou a viver parte de sua rotina no litoral paulista. Desde então, o espaço virou uma espécie de refúgio, carregado de memória afetiva para fãs e familiares.
O retrato atual do abandono

Reportagem recente do Domingo Espetacular mostrou o contraste da glória com a realidade. A piscina hoje está esverdeada, as quadras tomadas pelo mato e rachaduras preocupam engenheiros quanto à estrutura.
Dentro da casa, janelas quebradas e infiltrações revelam falta de manutenção. No quintal, um cachorro de grande porte virou o único “morador”, alimentado diariamente por um caseiro. O cenário reforça a sensação de abandono, embora a família negue essa narrativa.
Dívidas e risco de leilão
O imóvel acumula IPTU em atraso de R$ 452 mil e uma penhora judicial de R$ 7 milhões relacionada a processos envolvendo o espólio de Pelé. Esses débitos dificultam negociações privadas e podem levar o bem a leilão judicial.
Especialistas lembram que a execução fiscal pode resultar em alienação do imóvel para pagar a dívida municipal. Já a penhora serve como garantia para credores, permitindo expropriação se não houver acordo.
Quanto vale a mansão de Pelé?
Hoje, peritos imobiliários estimam que a propriedade valha R$ 8 milhões, mas poderia chegar a R$ 12 milhões com manutenção adequada. Se o valor simbólico e histórico for considerado, o preço de venda pode atingir R$ 18 milhões, sobretudo em negociações com colecionadores ou fãs do jogador.
No entanto, o estado atual reduz a atratividade para compradores comuns, já que seriam necessários altos investimentos para recuperar o imóvel.
A visão da família e o inventário
A mansão integra o espólio de Pelé, avaliado em mais de R$ 100 milhões. O patrimônio será dividido entre a viúva e os sete filhos do craque. A parte de Sandra Arantes, já falecida, caberá a seus dois filhos.
O inventário está sob responsabilidade de Edinho, filho de Pelé, que atua como inventariante. Em nota, seu advogado afirmou que o imóvel está incluído no planejamento de administração e que a gestão segue o cronograma definido pelo inventário.
Memória, mito e mercado imobiliário
O valor simbólico da marca Pelé ainda é um diferencial. Imóveis ligados a personalidades tendem a despertar interesse de colecionadores, mas o abandono e a deterioração diminuem a liquidez. O contraste é visível: muitos vizinhos nem sabiam que a casa pertenceu ao Rei, apesar da localização privilegiada.
Especialistas sugerem que um projeto de restauro poderia resgatar parte do valor, transformando o imóvel em peça única para investidores ou até em espaço cultural.
O que pode acontecer a seguir
Ainda não há edital de leilão publicado, mas, sem acordo com credores, o caminho judicial pode ser inevitável. Uma saída seria a família quitar ou parcelar o IPTU, além de negociar a penhora antes de uma venda privada. Caso contrário, a hasta pública pode definir o futuro da propriedade.
A mansão de Pelé no Guarujá continua sendo palco de memórias, mas também de incertezas. Entre a herança milionária, a disputa jurídica e a deterioração física, o destino do imóvel ainda está em aberto — e seu valor depende de como a família lidará com esse capítulo da história do Rei.
[Fonte: Click Petroleo e Gas]