Avistar uma jubarte saltando no mar brasileiro deixou de ser um evento raro. Hoje, em cidades como Ubatuba e Florianópolis, esses gigantes marinhos estão cada vez mais presentes. O fenômeno abre novas oportunidades de turismo sustentável, mas também levanta questões científicas sobre as razões por trás dessa mudança de rota.
Baleias que mudam o caminho
Em manhãs frias de inverno, não é incomum turistas em Ubatuba presenciarem jubartes emergindo em saltos e esguichos espetaculares. Antes, elas seguiam direto para a Bahia, região clássica de reprodução. Agora, algumas permanecem até três meses no litoral paulista. Para Luciana Brondízio, do Instituto Argonauta, esse comportamento pode estar ligado à busca por alimento. Sérgio Cipolotti, do Instituto da Baleia Jubarte, sugere que a escassez de krill na Antártida pode estar motivando essas paradas prolongadas.
Um retorno histórico
As jubartes percorrem cerca de 9 mil quilômetros entre a Antártida e Abrolhos (BA). Nos anos 1980, restavam menos de mil indivíduos devido à caça predatória. Graças à moratória internacional de 1965 e à proibição brasileira de 1985, a população se recuperou para aproximadamente 35 mil animais.
A presença dessas baleias em áreas antes abandonadas confirma o sucesso das medidas de proteção. Ferramentas como o Simmam, criado em 2005, permitem monitorar e identificar novas zonas de ocorrência, ampliando o mapa migratório da espécie no sul e sudeste do Brasil.
Avistamento mais frequente de baleias jubarte no litoral paulista estimula turismo e conservação. Cientistas pesquisam por que as mais jovens têm permanecido na costa por mais tempo l https://t.co/biBF33tmns pic.twitter.com/6MFU87Y6gQ
— DW Brasil (@dw_brasil) August 18, 2025
Turismo em crescimento e responsabilidade ambiental
O aumento dos avistamentos transformou destinos como Ubatuba em polos de turismo marinho. Passeios organizados pelo Instituto Argonauta seguem regras ambientais, mantendo distância mínima dos animais. Ainda assim, o Ibama intensificou a fiscalização em regiões como Santa Catarina para evitar acidentes com barcos e redes de pesca. “O desafio é expandir o turismo sem ameaçar a espécie”, afirma Paulo Maués, do órgão ambiental.
Um símbolo de transformação
O retorno das jubartes tem um valor simbólico poderoso. Locais como a Praia do Matadeiro, em Florianópolis — antes ponto de caça — agora se tornaram refúgios de observação. Crianças como Camila, de 11 anos, que se emocionou com seu primeiro encontro com uma baleia, representam uma nova geração mais conectada à defesa dos oceanos.
Para os biólogos, cada aparição é motivo de celebração. “Conseguimos preservar a espécie até trazê-la de volta aos antigos territórios”, afirma Cipolotti. O próximo passo é garantir que essas gigantes nunca mais fiquem à beira do desaparecimento.