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Ciência

NASA confirma primeira evacuação médica da Estação Espacial Internacional e antecipa retorno de astronautas à Terra

Missão Crew-11 será encerrada antes do previsto após um dos tripulantes apresentar um problema de saúde. A agência afirma que o astronauta está estável e que a decisão prioriza exames médicos completos na Terra.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Pela primeira vez desde o início das operações da Estação Espacial Internacional (ISS), há 25 anos, a NASA autorizou uma evacuação médica antecipada de astronautas em órbita. A missão Crew-11, que deveria permanecer no espaço até meados de fevereiro, retornará à Terra ainda nesta semana após um de seus integrantes adoecer.

A agência espacial norte-americana afirma que o tripulante está em condição estável, mas optou por encerrar a missão mais cedo para permitir avaliações médicas detalhadas em solo, algo impossível de realizar plenamente a bordo da estação.

Quem faz parte da missão Crew-11

A Crew-11 é composta por quatro membros: os astronautas da NASA Zena Cardman e Mike Fincke, o astronauta japonês Kimiya Yui, da JAXA, e o cosmonauta russo Oleg Platonov. Segundo a NASA, o grupo deixará a ISS não antes das 17h (horário do leste dos EUA) de quarta-feira.

O nome do astronauta que apresentou o problema de saúde não foi divulgado, nem detalhes sobre a condição médica. Ainda assim, a agência reforça que não se trata de uma situação de emergência imediata.

“Antes de tudo, estamos todos bem”, escreveu Mike Fincke em uma publicação no LinkedIn. “Todos a bordo estão estáveis, seguros e bem cuidados. Essa foi uma decisão deliberada para permitir os exames médicos adequados na Terra, onde existe toda a capacidade diagnóstica.”

Retorno antecipado e pouso no oceano

A previsão atual é que a cápsula Crew Dragon, da SpaceX, amerisse no oceano Pacífico, próximo à costa da Califórnia, por volta das 3h40 da manhã de quinta-feira. O cronograma, no entanto, pode mudar, já que a NASA segue monitorando as condições meteorológicas e do mar na área de pouso.

Antes da partida, os astronautas realizam os procedimentos padrão de retorno: checagem dos trajes espaciais, organização de itens pessoais e preparação da nave. Mesmo com a evacuação antecipada, a tripulação manteve suas atividades rotineiras na estação, incluindo manutenção de equipamentos e experimentos científicos.

Mudança de comando na ISS

Com a saída da Crew-11, permanecerão a bordo da Estação Espacial os cosmonautas russos Sergey Kud-Sverchkov e Sergei Mikaev, além do astronauta da NASA Chris Williams, que seguem em uma missão de seis meses iniciada no fim de novembro.

Na segunda-feira, Mike Fincke transferiu oficialmente o comando da ISS para Kud-Sverchkov durante a tradicional cerimônia de mudança de liderança. “Obrigado por todo o trabalho duro, pela parceria e pela ciência incrível que fizemos juntos”, disse Fincke aos colegas. “Algumas piadas não foram tão boas, mas vou continuar tentando.”

Um marco na história da estação

Antes do problema de saúde, Fincke se preparava para realizar sua décima caminhada espacial, o que o igualaria à astronauta Peggy Whitson como o norte-americano com mais atividades extraveiculares da história. A evacuação médica interrompeu esses planos.

Segundo a NASA, a agência se prepara para esse tipo de situação desde o lançamento da primeira tripulação da ISS. Estatisticamente, uma evacuação médica deveria ocorrer a cada três anos, de acordo com o médico-chefe da NASA, James Polk. O fato de esta ser a primeira em um quarto de século é visto como um indicativo da segurança da estação.

Teste real de protocolos de emergência

A volta antecipada da Crew-11 também servirá como um teste prático dos protocolos de evacuação médica da agência, que sempre fizeram parte do planejamento das missões tripuladas. Um navio de resgate da SpaceX estará posicionado no local do pouso para recolher a cápsula e realizar os primeiros exames médicos nos astronautas.

Para a NASA, o episódio reforça a importância da redundância e do planejamento de contingência em voos espaciais tripulados. Embora raro, o retorno antecipado mostra que a agência está preparada para priorizar a saúde da tripulação — mesmo que isso signifique encerrar uma missão antes do previsto.

 

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