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Ciência

NASA investiga um perigo da radiação espacial que pode atingir futuros astronautas

Um estudo financiado pela NASA identificou alterações preocupantes após a exposição à radiação espacial. Os resultados revelam um desafio pouco conhecido para futuras missões tripuladas a Marte.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Enviar astronautas a Marte exige muito mais do que construir foguetes capazes de percorrer milhões de quilômetros. Durante a viagem, o corpo humano precisa enfrentar condições que praticamente não existem na superfície terrestre. Entre elas está a exposição prolongada à radiação cósmica, cujos efeitos ainda não são completamente conhecidos. Agora, uma pesquisa financiada pela NASA encontrou indícios de que alguns danos podem surgir muito tempo depois da exposição, levantando novas preocupações sobre a segurança das missões interplanetárias.

Um experimento revela um possível risco para o coração dos astronautas

Durante décadas, o desenvolvimento de câncer esteve entre as principais preocupações relacionadas à exposição à radiação cósmica.

Entretanto, cientistas do Medical College of Wisconsin, nos Estados Unidos, decidiram investigar outro possível efeito: as alterações no sistema cardiovascular.

O estudo, publicado em 30 de setembro de 2026 na revista científica PLOS One, utilizou ratos para examinar as consequências da radiação espacial e da microgravidade.

Os pesquisadores empregaram um sistema capaz de simular determinados componentes da radiação encontrada no espaço.

Também utilizaram um procedimento que reduz a sustentação de peso nas patas traseiras dos animais, reproduzindo alguns efeitos fisiológicos da ausência de gravidade.

Os resultados revelaram uma alteração importante: fibrose perivascular cardíaca, caracterizada pelo acúmulo de tecido fibroso ao redor dos vasos sanguíneos do coração.

Esse processo pode aumentar a rigidez dos tecidos e está associado a mecanismos envolvidos no desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

A descoberta sugere que a radiação espacial pode afetar o coração de maneiras que não seriam imediatamente perceptíveis.

Os danos apareceram quase um ano depois da exposição à radiação

Um dos resultados mais relevantes da pesquisa foi o intervalo entre a exposição e a identificação das alterações.

Em uma etapa do experimento, os animais receberam uma dose de radiação de 0,75 gray, escolhida por sua relevância para o estudo de cenários associados a missões interplanetárias.

Os cientistas acompanharam os efeitos durante um período prolongado.

Após 360 dias, os ratos expostos apresentavam aproximadamente o dobro de tecido fibroso ao redor dos vasos cardíacos em comparação com os animais do grupo de controle.

Isso indica que determinadas alterações cardiovasculares podem se desenvolver progressivamente, mesmo depois de encerrada a exposição.

Para futuras viagens a Marte, esse comportamento representa uma preocupação adicional.

Uma missão tripulada pode durar anos, considerando os trajetos de ida e volta e o período de permanência no planeta.

Se efeitos semelhantes ocorrerem em humanos, o acompanhamento médico precisará considerar possíveis consequências tardias, inclusive após o retorno à Terra.

A ausência de gravidade também provocou alterações inesperadas

A pesquisa não se limitou aos efeitos da radiação.

Os cientistas também analisaram como a microgravidade simulada poderia influenciar diferentes processos biológicos.

Nos animais submetidos a essa condição, foram observadas mudanças em determinadas populações de células imunológicas e reduções nos níveis de algumas citocinas.

Essas proteínas participam da comunicação entre células e da regulação das respostas imunológicas.

O estudo também identificou variantes genéticas associadas à exposição a doses elevadas de radiação.

Entretanto, um detalhe chamou a atenção: a combinação entre radiação e microgravidade nem sempre produziu efeitos mais intensos do que aqueles observados com cada fator isoladamente.

Isso demonstra que as respostas do organismo às condições espaciais são complexas e não podem ser explicadas simplesmente pela soma de diferentes riscos.

O que a descoberta significa para uma futura missão humana a Marte?

Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam uma limitação fundamental: o experimento foi realizado com ratos, não com astronautas.

Além disso, a exposição experimental e a microgravidade simulada não reproduzem integralmente as condições de uma viagem real ao espaço profundo.

Portanto, os dados não permitem concluir que viajar a Marte necessariamente provoque danos cardíacos irreversíveis ou aumente diretamente o risco de infarto em humanos.

O que o estudo demonstra é a existência de alterações cardiovasculares tardias em animais expostos à radiação, justificando novas investigações.

Para a NASA e outras agências espaciais, os resultados reforçam a necessidade de desenvolver sistemas de proteção contra radiação e estratégias de monitoramento médico de longo prazo.

A segurança de uma missão interplanetária dependerá não apenas da capacidade de chegar ao destino, mas também de preservar a saúde da tripulação durante a viagem e depois dela.

O desafio é descobrir se os efeitos observados nos animais também podem ocorrer em astronautas e como impedir que se transformem em problemas de saúde duradouros.

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