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Ciência

NASA revela imagens inéditas de uma estrela “morrendo”

Uma nova imagem captada pelo telescópio espacial Hubble revelou detalhes inéditos de um fenômeno cósmico raro. A observação mostra o que acontece quando uma estrela semelhante ao Sol chega ao fim de sua vida.
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Tempo de leitura: 3 minutos

No universo, até as estrelas têm um ciclo de vida. Elas nascem em nuvens de gás, brilham por bilhões de anos e, em algum momento, começam a se transformar lentamente. Agora, uma nova observação da NASA revelou um dos momentos mais fascinantes dessa jornada. Pela primeira vez com esse nível de detalhe, cientistas conseguiram registrar o que acontece quando uma estrela parecida com o nosso Sol entra em suas etapas finais.

Um espetáculo cósmico captado pelo Hubble

NASA revela imagens inéditas de uma estrela “morrendo”
© https://x.com/Rainmaker1973

O telescópio espacial Hubble registrou novas imagens da chamada Nebulosa do Ovo, um fenômeno localizado a cerca de mil anos-luz da Terra, na constelação de Cygnus.

Essa nebulosa é formada quando uma estrela semelhante ao Sol começa a perder suas camadas externas ao se aproximar do fim de sua existência.

As imagens revelam um impressionante espetáculo de luz e sombra criado por jatos de radiação que atravessam densas nuvens de poeira estelar.

No centro da estrutura existe uma estrela que permanece parcialmente escondida por uma espessa camada de gás e poeira.

A partir dessa região central, dois feixes intensos de luz escapam por aberturas no material ao redor, criando cones luminosos que iluminam a nebulosa.

Esses feixes também atingem camadas de gás que foram expulsas pela estrela ao longo do tempo, formando anéis concêntricos que lembram ondas se expandindo no espaço.

Uma fase extremamente rara da vida de uma estrela

A Nebulosa do Ovo é considerada um exemplo de nebulosa pré-planetária, um estágio intermediário que ocorre antes da formação de uma nebulosa planetária.

Essa etapa acontece quando uma estrela semelhante ao Sol começa a expulsar suas camadas externas após consumir grande parte de seu combustível nuclear.

O material liberado forma estruturas de gás e poeira que refletem a luz da estrela central.

O mais impressionante é que essa fase dura apenas alguns milhares de anos, um período extremamente curto em escala astronômica.

Por isso, objetos como a Nebulosa do Ovo são considerados verdadeiros laboratórios naturais para estudar a evolução estelar.

As observações permitem analisar como as estrelas se transformam nos momentos finais de sua existência.

O que as novas imagens revelam

As imagens captadas pelo Hubble mostram detalhes complexos da estrutura da nebulosa.

Ao redor da estrela central aparecem camadas concêntricas de gás, formadas por episódios sucessivos de ejeção de material.

Esses anéis sugerem que a estrela liberou matéria em diferentes momentos ao longo dos últimos séculos.

Os jatos luminosos que atravessam a nebulosa também indicam movimentos rápidos de gás nos chamados lóbulos polares.

Alguns cientistas acreditam que essas estruturas podem estar relacionadas à presença de estrelas companheiras ocultas, que interagem gravitacionalmente com a estrela principal.

Essas interações podem influenciar a forma como o material é expelido e moldar a aparência final da nebulosa.

Como nascem as nebulosas planetárias

Quando estrelas semelhantes ao Sol esgotam o hidrogênio e o hélio que alimentam suas reações nucleares, começam a liberar suas camadas externas.

O núcleo restante se aquece intensamente e passa a iluminar o gás ao redor.

Esse processo cria estruturas conhecidas como nebulosas planetárias, que muitas vezes aparecem como nuvens brilhantes e coloridas no espaço.

A Nebulosa do Ovo representa justamente o estágio anterior a essa transformação.

Por isso, os cientistas consideram essa fase ideal para estudar como o material estelar é lançado no espaço.

Esse processo é fundamental para a evolução do universo.

As estrelas envelhecidas liberam elementos químicos e poeira cósmica que, mais tarde, podem dar origem a novos sistemas estelares e até a planetas.

Décadas de observações do Hubble

O telescópio Hubble já observou a Nebulosa do Ovo várias vezes ao longo das últimas décadas.

A primeira imagem em luz visível foi registrada em 1997.

Depois disso, novas observações foram feitas em diferentes comprimentos de onda, incluindo luz infravermelha.

Cada uma dessas observações revelou novos detalhes da estrutura da nebulosa.

As imagens mais recentes, obtidas com instrumentos avançados do telescópio, mostram jatos de hidrogênio quente emergindo da nuvem central de poeira.

Esses fluxos aparecem em tons alaranjados e ajudam os cientistas a entender melhor como o material está sendo expelido pela estrela.

Os anéis concêntricos também indicam que a estrela central pode ter passado por episódios repetidos de expulsão de matéria ao longo de centenas de anos.

Esses detalhes fornecem pistas valiosas sobre os processos físicos que ocorrem no final da vida das estrelas.

[Fonte: La Nación]

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