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Nem 10 nem 60 minutos: estudo clínico aponta o tempo exato de música que pode reduzir a ansiedade de forma mais eficiente

Uma pesquisa clínica com adultos em tratamento para ansiedade identificou um “ponto ideal” de duração para ouvir música com estímulos específicos. O resultado surpreende por mostrar que mais tempo nem sempre significa mais benefício — e revela uma alternativa simples e acessível para aliviar sintomas.

A relação entre música e bem-estar não é novidade. Há décadas, a ciência investiga como sons e ritmos podem influenciar o cérebro humano. Agora, um estudo clínico conduzido pela Universidade Metropolitana de Toronto traz uma resposta mais precisa: quanto tempo de música é realmente necessário para reduzir a ansiedade de forma significativa?

Os resultados indicam que existe um intervalo ideal — e ele pode ser mais curto do que muita gente imagina.

O tempo ideal: 24 minutos que fazem diferença

Tipo De Música (2)
© ViDI Studio

De acordo com a pesquisa, ouvir música durante cerca de 24 minutos, combinada com um tipo específico de estímulo auditivo, pode reduzir de forma relevante os sintomas de ansiedade.

O estudo foi publicado na revista científica PLOS Mental Health e envolveu adultos que já estavam em tratamento farmacológico. Ou seja, a música não substitui a medicação, mas atua como um complemento eficaz.

Os pesquisadores observaram que esse tempo de exposição foi suficiente para gerar melhorias tanto nos sintomas mentais quanto físicos da ansiedade, sem exigir longas sessões.

Curiosamente, sessões mais longas — de até 36 minutos — não apresentaram benefícios significativamente maiores, o que reforça a ideia de um “ponto ótimo” de duração.

O que torna essa música diferente

A intervenção utilizada no estudo não foi baseada em qualquer tipo de música. Os participantes ouviram faixas combinadas com um recurso chamado estimulação por batidas auditivas, conhecido como ABS (Auditory Beat Stimulation).

Esse tipo de estímulo funciona criando padrões sonoros que podem influenciar a atividade cerebral. A proposta é induzir estados mentais mais calmos, ajudando o cérebro a sair de um estado de alerta constante — comum em pessoas com ansiedade.

Para efeito de comparação, um dos grupos foi exposto ao chamado “ruído rosa”, um som contínuo semelhante ao de chuva ou ondas do mar. Embora relaxante, ele não apresentou os mesmos resultados que a combinação de música com ABS.

Como o estudo foi conduzido

A pesquisa foi liderada pela cientista Danielle K. Mullen e contou com a participação de 144 adultos com ansiedade moderada.

Os voluntários foram divididos em quatro grupos, cada um submetido a diferentes condições:

  • Ruído rosa por 24 minutos (grupo controle)
  • Música com ABS por 12 minutos
  • Música com ABS por 24 minutos
  • Música com ABS por 36 minutos

Antes e depois das sessões, os participantes responderam questionários para avaliar níveis de ansiedade e estado emocional.

Os resultados mostraram um padrão claro: a sessão de 24 minutos foi mais eficaz que a de 12 minutos e tão eficiente quanto a de 36 minutos. Esse comportamento, conhecido como relação “dose-resposta”, indica que existe uma quantidade ideal de estímulo para alcançar o melhor efeito.

Impacto real nos sintomas da ansiedade

Dormindo Musica
© Pexels – iStock

Além de reduzir a sensação geral de ansiedade, a intervenção também trouxe melhorias em sintomas específicos.

Entre os efeitos observados estão:

  • Redução de pensamentos intrusivos
  • Melhora na concentração
  • Diminuição de sintomas físicos, como náuseas e desconforto no peito

Segundo Frank Russo, professor de psicologia e coautor do estudo, os 24 minutos representam um equilíbrio ideal.

“É tempo suficiente para provocar mudanças significativas, mas sem exigir que a pessoa reserve longos períodos do dia”, explicou o pesquisador.

Uma alternativa acessível — mas não substituta

Os transtornos de ansiedade estão entre os problemas de saúde mental mais comuns no mundo. Eles incluem condições como ansiedade generalizada, fobias e ansiedade social, podendo afetar diretamente a qualidade de vida.

Embora tratamentos como medicamentos e terapia cognitivo-comportamental sejam eficazes, nem sempre estão disponíveis para todos. Custos, tempo e acesso limitado ainda são barreiras importantes.

Nesse contexto, intervenções baseadas em música ganham relevância por serem simples, de baixo custo e praticamente sem efeitos colaterais.

Ainda assim, os próprios autores reforçam: essa abordagem não substitui tratamentos tradicionais. Ela deve ser vista como uma ferramenta complementar dentro de um cuidado mais amplo.

O estudo abre espaço para uma nova forma de encarar o tratamento da ansiedade — uma que combina ciência, tecnologia e algo que já faz parte do nosso cotidiano: ouvir música.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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