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Netflix revive um crime de 1892 que continua cercado de perguntas mais de um século depois

Uma casa vitoriana, duas mortes brutais e uma mulher levada aos tribunais. Mais de 130 anos depois, o caso retorna em oito episódios na Netflix.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Existem crimes que terminam com uma sentença e outros que continuam alimentando perguntas durante gerações. Um dos casos mais famosos da história criminal dos Estados Unidos pertence ao segundo grupo. A Netflix acaba de transformá-lo na nova temporada de sua antologia Monstro, com oito episódios, uma reconstrução sombria do final do século XIX e Ella Beatty no centro de uma história na qual realidade e dramatização precisam ser cuidadosamente separadas.

Tudo começa dentro de uma casa em Massachusetts

Em 4 de agosto de 1892, Andrew Borden e sua esposa, Abby, foram encontrados mortos dentro da residência da família em Fall River, Massachusetts. A violência dos assassinatos rapidamente colocou o caso nas manchetes e transformou a filha de Andrew, Lizzie Borden, em uma das figuras mais conhecidas da história criminal americana.

Netflix revive um crime de 1892 que continua cercado de perguntas mais de um século depois
© Unknown author – Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=71390598

Lizzie, então com 32 anos, acabou acusada pelos dois homicídios.

O julgamento ganhou enorme repercussão, mas terminou de uma maneira que ajudaria a transformar o caso em um mistério duradouro: Lizzie foi absolvida. Apesar de décadas de teorias, livros, filmes e investigações posteriores, ninguém mais foi condenado pelas mortes.

É justamente essa história que a Netflix recupera em Monstro: A história de Lizzie Borden. A produção possui oito episódios e integra a antologia criada por Ryan Murphy e Ian Brennan.

A franquia já havia abordado Jeffrey Dahmer, os irmãos Menéndez e Ed Gein. Desta vez, porém, coloca uma mulher no centro da narrativa pela primeira vez.

A série não pretende apenas reconstruir o crime

A nova temporada volta à sociedade americana do final do século XIX para explorar não apenas os assassinatos, mas também as tensões dentro da família Borden e as rígidas expectativas impostas às mulheres naquele período.

Ella Beatty interpreta Lizzie, enquanto Vicky Krieps assume o papel da empregada Bridget Sullivan. Charlie Hunnam aparece como Andrew Borden e Rebecca Hall interpreta Abby. O elenco ainda inclui Billie Lourd, Jessica Barden, Joey Pollari e Sarah Paulson.

A presença de Hunnam cria ainda uma curiosidade para quem acompanha a antologia: o ator interpretou Ed Gein na temporada anterior e agora retorna como uma figura completamente diferente.

Mas há um ponto importante para quem chegar à série procurando uma reconstrução documental.

Monstro é uma dramatização.

A produção utiliza personagens históricos e acontecimentos reais como base, mas também cria diálogos, relações e situações para construir sua narrativa. Algumas escolhas da série não devem, portanto, ser interpretadas automaticamente como fatos comprovados sobre Lizzie Borden ou sobre os assassinatos.

A Netflix apresenta uma resposta onde a história deixou dúvidas

Essa diferença fica evidente até na descrição oficial da plataforma.

Enquanto o registro histórico estabelece que Lizzie foi acusada, julgada e posteriormente absolvida, a sinopse da Netflix apresenta sua protagonista como responsável pelas mortes. A própria estrutura dos episódios desenvolve essa interpretação específica dos acontecimentos.

É uma escolha narrativa relevante porque o caso real nunca terminou com uma condenação.

Na vida real, o julgamento de Lizzie transformou-se em espetáculo público. A combinação de violência, dinheiro, conflitos familiares e uma acusada que contrariava muitas expectativas sociais da época ajudou a manter o episódio vivo na cultura popular americana.

A série aproveita exatamente esse material.

Ao longo dos oito capítulos, acompanha os conflitos dentro da residência, os assassinatos, a investigação policial e o julgamento que capturou a atenção do país.

Os episódios variam aproximadamente entre 39 minutos e pouco mais de uma hora, o que permite assistir à temporada completa como uma minissérie relativamente curta.

Um elenco conhecido reforça a aposta da Netflix

Netflix revive um crime de 1892 que continua cercado de perguntas mais de um século depois
© YouTube

Ella Beatty assume talvez o papel mais importante de sua carreira até agora. Filha dos atores Warren Beatty e Annette Bening, ela já havia aparecido em produções como Feud: Capote vs. The Swans.

Ao seu lado, Vicky Krieps interpreta Bridget Sullivan, empregada da família Borden e personagem central na versão construída pela série. Rebecca Hall assume o papel da madrasta Abby, enquanto Charlie Hunnam interpreta Andrew.

Sarah Paulson também participa da temporada interpretando Aileen Wuornos, criminosa americana de uma época completamente diferente, em uma das escolhas narrativas que ampliam a história para além dos acontecimentos de 1892.

O resultado combina drama de época, terror psicológico e true crime dramatizado.

Mais de 130 anos depois, a pergunta continua funcionando

A Netflix encontrou um caso praticamente feito para uma série desse gênero.

Há uma casa fechada, conflitos familiares, duas vítimas, uma acusada famosa e um julgamento que não produziu a resposta definitiva que grande parte do público esperava.

A nova temporada de Monstro oferece sua própria interpretação sobre o que poderia ter acontecido. O registro histórico, entretanto, exige uma ressalva fundamental: Lizzie Borden foi absolvida.

Essa diferença entre o que pode ser provado e aquilo que a ficção decide imaginar é justamente uma das razões pelas quais o caso continua fascinando mais de um século depois.

A história terminou nos tribunais em 1893. O mistério, claramente, não.

[Fonte: ambito]

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