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Ciência

Nova esperança ou falsa promessa? O remédio recém-aprovado contra Alzheimer que está dividindo especialistas

Um novo medicamento chega ao Brasil prometendo frear o avanço do Alzheimer em estágio inicial. Mas, apesar da aprovação da Anvisa, a eficácia e segurança do tratamento geram dúvidas na comunidade médica internacional.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O donanemabe acaba de ser aprovado no Brasil como o primeiro remédio específico para tratar a fase inicial do Alzheimer. Apesar da novidade, especialistas questionam seus benefícios reais. Entenda o que muda para os pacientes e por que o tratamento está cercado de controvérsias.

A aprovação do primeiro medicamento para Alzheimer pela Anvisa marca um passo importante na busca por tratamentos mais eficazes para essa doença neurodegenerativa. O donanemabe, fabricado pela Eli Lilly, promete reduzir os impactos do comprometimento cognitivo leve ou demência leve em estágios iniciais da condição. No entanto, a chegada do remédio ao mercado não está livre de críticas.

O que é o donanemabe e como ele age no organismo?

Nova esperança ou falsa promessa? O remédio recém-aprovado contra Alzheimer que está dividindo especialistas
© Pexels

O novo medicamento é um anticorpo monoclonal que atua diretamente sobre as placas de beta-amiloide acumuladas no cérebro, um dos principais marcadores da doença de Alzheimer. A ideia é que, ao se ligar a essas proteínas, o donanemabe ajude a reduzir os depósitos e, com isso, desacelere o avanço da deterioração cognitiva.

Segundo um estudo que envolveu 1.736 pacientes em oito países, o tratamento mensal com o remédio mostrou uma progressão da doença significativamente menor em comparação ao grupo que recebeu placebo. A posologia inicial envolve doses de 700 mg por três ciclos mensais, seguidas por 1.400 mg mensais até a 76ª semana de tratamento.

Efeitos colaterais, restrições e dúvidas sobre eficácia

Apesar do potencial, o uso do donanemabe não é indicado para todos os pacientes. Pessoas que usam anticoagulantes ou têm angiopatia amiloide cerebral devem evitar o medicamento, que também está contraindicado para indivíduos com certas variantes genéticas, como o gene da apolipoproteína E4.

Os efeitos adversos mais comuns envolvem reações à infusão, como febre, dores de cabeça e sintomas gripais, o que pode limitar sua tolerância em alguns pacientes. A Anvisa já declarou que o uso do medicamento será acompanhado de perto, com monitoramento contínuo da sua eficácia e segurança.

A polêmica em torno do tratamento aumentou após a EMA (Agência Europeia de Medicamentos) recomendar a não aprovação do donanemabe na Europa, em contraste com a aprovação recente de outro medicamento similar, o lecanemabe, pela Comissão Europeia.

Em que estágio da doença o medicamento pode ajudar?

O donanemabe foi testado especificamente em pacientes com sintomas iniciais de Alzheimer — fase em que surgem as primeiras alterações de memória, atenção e comportamento. O medicamento não é indicado para os estágios mais avançados da doença, que incluem perda severa de funções motoras, incontinência e dependência total.

Hoje, a expectativa de vida de um paciente com Alzheimer varia entre 8 e 10 anos, e o progresso da doença costuma ser dividido em quatro fases. O tratamento aprovado busca atuar justamente no estágio inicial, onde os impactos da intervenção podem ser potencialmente mais relevantes.

O que esperar a partir de agora?

Mesmo com as dúvidas, a chegada do donanemabe ao Brasil representa uma nova possibilidade para pacientes e familiares que enfrentam o Alzheimer desde seus primeiros sinais. Ainda assim, médicos recomendam cautela e reforçam que o medicamento deve ser usado com acompanhamento profissional rigoroso e apenas nos casos em que os benefícios superem os riscos.

A aprovação também reacende o debate sobre a urgência de se investir em pesquisas mais amplas e tratamentos mais acessíveis para doenças neurodegenerativas, que ainda desafiam a medicina moderna.

A longo prazo, o monitoramento da Anvisa será fundamental para avaliar se a promessa do donanemabe realmente se traduz em uma melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes — ou se é apenas mais uma tentativa com eficácia limitada.

[Fonte: ICL Notícias]

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