Um estudo recente realizado pelo Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático, na Alemanha, aponta um possível cenário alarmante: até 2200, a temperatura média global pode aumentar em até 7 °C. O alerta permanece mesmo em contextos de emissões de carbono consideradas moderadas, caso a sensibilidade climática da Terra esteja acima do estimado atualmente.
O que é sensibilidade climática e por que ela importa
A chamada sensibilidade climática de equilíbrio (ECS) representa o aumento médio da temperatura do planeta quando a concentração de dióxido de carbono na atmosfera se duplica. Modelos tradicionais utilizam um valor médio de 3 °C, mas o estudo considerou faixas entre 2 °C e 5 °C.
Se a ECS estiver no limite superior dessas projeções, os modelos sugerem que, mesmo sem picos de emissão, o aquecimento pode ultrapassar 7 °C até o fim do século XXII, dobrando as estimativas anteriores e desafiando as metas climáticas globais.
Retroalimentação do carbono intensifica o problema
Um dos principais fatores por trás desse risco está nos ciclos de retroalimentação do carbono, como o derretimento do permafrost e a liberação de metano por áreas alagadas. Esses processos, agravados pelo aumento da temperatura, liberam mais gases de efeito estufa, acelerando ainda mais o aquecimento.
Segundo Christine Kaufhold, autora principal do estudo, metade do aquecimento adicional previsto nos cenários mais críticos pode ser atribuída a essas interações entre o clima e o ciclo do carbono.
Impactos globais e consequências para a humanidade
Um aquecimento de 7 °C acima dos níveis pré-industriais tornaria grandes regiões do planeta inabitáveis, com riscos reais de colapso agrícola, eventos climáticos extremos mais frequentes e elevação expressiva do nível do mar.
O modelo climático utilizado no estudo, chamado CLIMBER-X, simula os efeitos até o ano 3000, incluindo interações biológicas e geoquímicas muitas vezes ignoradas em pesquisas anteriores — como a emissão de metano e a resposta lenta dos oceanos ao calor acumulado.
Cientistas alertam: ação urgente é indispensável
Para manter o aquecimento dentro da meta de 2 °C estabelecida no Acordo de Paris, os pesquisadores afirmam que será necessário reduzir drasticamente as emissões nos próximos anos e torcer para que a sensibilidade climática esteja no limite inferior das estimativas.
“O sistema climático já mostra sinais de perda de resiliência”, afirma Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam. “Isso pode acelerar o aquecimento e nos desviar completamente dos cenários planejados. O tempo está se esgotando para garantir um futuro habitável.”
[Fonte: Um só planeta]