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Ciência

O achado da Agência Espacial Europeia que pode mudar a previsão de tempestades solares e evitar danos na Terra

Uma sequência histórica de imagens do Sol revelou como regiões magnéticas complexas evoluem até gerar tempestades solares extremas. O estudo, liderado por cientistas europeus, abre caminho para previsões mais precisas do clima espacial e para a proteção de infraestruturas críticas na Terra.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Tempestades solares costumam chamar atenção pelas auroras espetaculares, mas seus efeitos vão muito além do céu colorido. Elas podem derrubar satélites, interferir em sistemas de navegação e causar prejuízos econômicos significativos. Agora, um achado da Agência Espacial Europeia oferece novas pistas para prever esses eventos com mais antecedência e reduzir seus impactos.

Um retrato completo de uma região solar extrema

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© NASA/SDO/SWNS.

As imagens que deram origem ao estudo foram obtidas pela sonda Solar Orbiter, da Agência Espacial Europeia. Pela primeira vez, astrônomos conseguiram acompanhar de forma contínua uma mesma região ativa do Sol durante 94 dias — o período mais longo já registrado para uma área específica da estrela.

A região em questão, conhecida como NOAA 13664, foi responsável pelas intensas tempestades solares de maio de 2024. Naquele mês, auroras boreais incomuns puderam ser vistas em latitudes muito mais baixas do que o normal, e diversos sistemas tecnológicos sofreram perturbações.

Observando o lado visível e o oculto do Sol

O feito só foi possível graças à combinação de duas missões espaciais. Enquanto a Solar Orbiter percorre uma órbita que permite observar tanto a face visível quanto a oculta do Sol, o Solar Dynamics Observatory, da NASA, monitora continuamente o lado voltado para a Terra.

A integração desses dados foi liderada por um grupo internacional chefiado por Louise Harra, professora da ETH Zurich. Segundo a pesquisadora, essa abordagem permitiu observar todas as fases da região ativa, desde seu surgimento no lado oculto do Sol, em abril de 2024, até sua completa dissipação em julho do mesmo ano.

Campos magnéticos cada vez mais complexos

A análise revelou que regiões como a NOAA 13664 são dominadas por campos magnéticos altamente emaranhados. Essas estruturas emergem à superfície solar imersas em plasma magnetizado e armazenam enormes quantidades de energia.

Com o tempo, a configuração magnética se torna cada vez mais instável. Foi exatamente esse processo que levou, em 20 de maio de 2024, à mais potente erupção solar registrada nos últimos 20 anos — ocorrida, inclusive, no lado do Sol que não estava voltado para a Terra.

O físico solar Ioannis Kontogiannis, ligado à ETH Zurich e ao IRSOL, destacou que o acompanhamento da região ao longo de três rotações solares foi crucial para entender como essa complexidade magnética se constrói antes das grandes explosões.

Impactos reais além das auroras

Aurora 1
© Pexels – Tobias Bjørkli.

As consequências das tempestades solares vão muito além do espetáculo visual. Segundo Harra, até sistemas aparentemente simples, como a sinalização ferroviária, podem ser afetados, mudando de estado de forma inesperada.

Em maio de 2024, setores como a agricultura digital sofreram impactos diretos. Interrupções em sinais de satélites, drones e sensores prejudicaram o trabalho no campo, causando perda de produtividade e prejuízos econômicos. Há ainda riscos para redes elétricas, comunicações globais, instrumentos eletrônicos e para a exposição à radiação de tripulações aéreas.

O histórico recente inclui episódios emblemáticos, como a perda de dezenas de satélites da SpaceX em 2022, poucos dias após o lançamento, em consequência de atividade solar intensa.

Prever melhor para proteger a tecnologia

Os pesquisadores acreditam que o novo conjunto de dados ajudará a refinar modelos de previsão do clima espacial. A ideia central é simples: quando uma região do Sol apresenta um campo magnético extremamente complexo, há grande probabilidade de que uma quantidade significativa de energia seja liberada na forma de tempestades solares.

Ainda assim, prever exatamente quando e com que intensidade essas erupções ocorrerão continua sendo um desafio. Não é possível dizer com antecedência se uma região ativa produzirá um único evento extremo ou várias explosões menores.

Para avançar nesse campo, a Agência Espacial Europeia trabalha no desenvolvimento de uma nova sonda chamada Vigil, com lançamento previsto para 2031. O objetivo é melhorar significativamente a capacidade de monitoramento e previsão do clima espacial.

Uma estrela que influencia nosso cotidiano

Como lembrou Kontogiannis, o Sol é a única estrela que afeta diretamente nossas atividades diárias. Compreender seu comportamento não é apenas uma questão científica, mas uma necessidade prática em um mundo cada vez mais dependente de tecnologia sensível.

As observações prolongadas e coordenadas entre missões europeias e americanas mostram que prever tempestades solares com mais precisão não é mais um objetivo distante, mas um passo concreto para proteger infraestruturas críticas — e a vida cotidiana — aqui na Terra.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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