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Ciência

O aviso preocupante da NASA: mais de 15 mil asteroides capazes de destruir cidades seguem ocultos

Cientistas alertam que milhares de asteroides potencialmente perigosos ainda não foram identificados. O desafio de localizá-los envolve limitações tecnológicas, tempo de reação curto e riscos que vão além da ficção científica.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O espaço ao redor da Terra está longe de ser um lugar vazio. Milhares de rochas espaciais cruzam constantemente a órbita do planeta, muitas delas monitoradas por telescópios e sistemas de defesa planetária. Mesmo assim, especialistas alertam que ainda há uma grande quantidade de objetos potencialmente perigosos que permanecem invisíveis para nossos instrumentos atuais. A preocupação não é imediata, mas envolve um fator crucial: tempo suficiente para reagir.

O número de asteroides que ainda não foram detectados

O aviso preocupante da NASA: mais de 15 mil asteroides capazes de destruir cidades seguem ocultos
© https://x.com/UAPWatchers/

Pesquisadores da NASA estimam que mais de 15 mil asteroides capazes de provocar destruição em escala urbana ainda não foram identificados pelos sistemas de monitoramento espacial.

Esses objetos fazem parte do grupo conhecido como asteroides próximos à Terra. Embora não representem necessariamente uma ameaça imediata, a ausência de registro reduz o tempo disponível para reagir caso algum deles seja descoberto em rota de colisão com o planeta.

O tema foi discutido recentemente durante um encontro científico da American Association for the Advancement of Science (AAAS), realizado na cidade de Phoenix, no estado do Arizona, nos Estados Unidos.

Durante o evento, Kelly Fast, responsável interina pelo programa de defesa planetária da NASA, explicou que atualmente cerca de 25 mil asteroides com potencial destrutivo já são conhecidos.

No entanto, apenas cerca de 40% desses corpos foram devidamente catalogados até agora.

Isso significa que a maior parte desses objetos ainda não aparece nos bancos de dados astronômicos. Eles continuam circulando pelo sistema solar sem identificação oficial.

Por que tantos asteroides continuam invisíveis

A dificuldade em detectar esses objetos não acontece porque eles são raros, mas porque muitos possuem características que tornam sua observação extremamente complicada.

Grande parte dos telescópios utiliza a luz solar refletida para identificar asteroides. Quando um desses corpos passa próximo ao brilho do Sol, ele pode permanecer praticamente invisível para observadores na Terra.

Outro fator importante é o chamado albedo, que indica a capacidade de refletir luz. Asteroides mais escuros refletem pouca luminosidade, aparecendo apenas como pontos muito fracos nas imagens captadas pelos observatórios.

Além disso, alguns desses objetos possuem órbitas semelhantes à da própria Terra. Quando isso acontece, o movimento deles em relação ao fundo do céu é pequeno, o que dificulta sua identificação em observações rápidas.

Sem observações feitas a partir de diferentes ângulos, também se torna mais difícil calcular com precisão suas trajetórias.

Quando asteroides já causaram destruição na Terra

Embora colisões de grande escala sejam extremamente raras, a história registra episódios que mostram o potencial destrutivo desses objetos.

Um dos exemplos mais conhecidos ocorreu em 30 de junho de 1908, na região de Tunguska, na Sibéria.

Na ocasião, um objeto rochoso com cerca de 40 metros de diâmetro explodiu na atmosfera antes de atingir o solo. A explosão aérea liberou uma onda de choque poderosa que derrubou aproximadamente 2.150 quilômetros quadrados de floresta.

O evento ocorreu em uma área pouco habitada. Caso algo semelhante acontecesse sobre uma cidade moderna, os efeitos poderiam incluir destruição de edifícios, incêndios e grande pressão sobre sistemas de emergência.

O tempo é o fator mais importante na defesa planetária

Para cientistas que trabalham com defesa planetária, o fator mais importante não é apenas detectar asteroides, mas encontrá-los com anos de antecedência.

Quanto mais cedo um objeto potencialmente perigoso é identificado, maiores são as possibilidades de resposta.

Com tempo suficiente, astrônomos podem calcular com precisão sua trajetória e engenheiros podem planejar missões espaciais destinadas a alterar sua órbita.

Sem esse intervalo de preparação, as autoridades teriam poucas alternativas além de medidas emergenciais, como evacuação de áreas de risco.

Além disso, pequenas mudanças gravitacionais causadas por planetas podem alterar lentamente o caminho de um asteroide ao longo dos anos, o que torna cálculos de trajetória ainda mais complexos.

A missão que provou que é possível desviar um asteroide

Em 2022, a NASA realizou um teste considerado histórico para a defesa planetária.

A missão chamada DART (Double Asteroid Redirection Test) enviou uma nave espacial para colidir deliberadamente com o asteroide Dimorphos.

O objetivo era testar o conceito de impactador cinético: alterar a trajetória de um asteroide usando apenas a força do impacto de uma nave.

Após a colisão, medições mostraram que a órbita de Dimorphos foi modificada em cerca de 32 minutos. O resultado confirmou que esse tipo de estratégia pode funcionar em situações reais.

Mesmo assim, especialistas reforçam que qualquer tentativa de desvio depende de um fator essencial: descobrir o asteroide com antecedência.

Novos telescópios para encontrar asteroides escondidos

Para ampliar a capacidade de monitoramento, a NASA planeja lançar um novo telescópio espacial chamado Near-Earth Object Surveyor.

O instrumento utilizará sensores infravermelhos capazes de detectar o calor emitido por asteroides, incluindo aqueles com superfícies escuras que refletem pouca luz.

Esse tipo de observação pode revelar objetos que atualmente passam despercebidos pelos telescópios tradicionais.

De acordo com análises da missão, o equipamento poderá ajudar a catalogar cerca de 90% dos asteroides potencialmente perigosos próximos à Terra ao longo de aproximadamente uma década.

O lançamento do telescópio está previsto para acontecer não antes de setembro de 2027.

Um esforço global para proteger o planeta

A busca por asteroides potencialmente perigosos depende de uma combinação de telescópios espaciais, observatórios terrestres e cooperação internacional.

Telescópios instalados na Terra varrem grandes áreas do céu todas as noites em busca de novos objetos em movimento. No entanto, fatores como clima, brilho da Lua e luz do dia reduzem o tempo disponível para observação.

Além disso, regiões do espaço próximas ao Sol continuam sendo particularmente difíceis de monitorar.

Por isso, cientistas defendem investimentos contínuos em tecnologia e infraestrutura de monitoramento.

Segundo especialistas, ampliar a capacidade de detecção é a melhor forma de garantir tempo suficiente para planejar respostas caso algum asteroide realmente represente risco para a Terra.

[Fonte: Olhar digital]

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