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Ciência

O CERN está criando “bolas de fogo” de plasma para desvendar a origem do magnetismo cósmico — e a resposta pode reescrever a história do universo

Nem a gravidade, nem a matéria escura: a força que domina o cosmos pode ser o eletromagnetismo. Um novo estudo do CERN e da Universidade de Oxford recriou no laboratório condições do universo primordial e encontrou pistas de como os primeiros campos magnéticos surgiram instantes após o Big Bang. O resultado ajuda a explicar por que o espaço inteiro vibra com forças invisíveis.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Ainda não sabemos exatamente quando o magnetismo apareceu no cosmos — se nasceu com as primeiras estrelas ou se já estava presente no universo recém-formado. Para resolver o mistério, cientistas do CERN e de Oxford reproduziram “bolas de fogo” de plasma semelhantes às do Big Bang e observaram como pequenas flutuações elétricas podem gerar campos magnéticos espontaneamente. O experimento fornece uma das pistas mais sólidas para explicar a origem dessa força dominante.

As quatro forças fundamentais — e por que o magnetismo intriga tanto

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© https://x.com/NASA

O universo inteiro funciona graças a quatro forças básicas: gravidade, eletromagnetismo, força nuclear forte e força nuclear fraca. A gravidade nos é familiar, mas é a mais fraca delas. Já o eletromagnetismo, embora imperceptível no dia a dia, domina em escalas cósmicas: atravessa galáxias, molda ventos estelares, influencia a formação de estrelas e desvia partículas de alta energia.

Apesar disso, seu nascimento permanece um dos maiores enigmas da astrofísica moderna. Até recentemente, os cientistas não sabiam se os campos magnéticos surgiram depois das primeiras estrelas, gerados por choques, turbulências e radiação… ou se já existiam antes, ainda nos primeiros segundos após o Big Bang.

O experimento do CERN que recria o universo primordial

Para investigar o mistério, pesquisadores do CERN e da Universidade de Oxford uniram simulações computacionais com experimentos de plasma de alta energia. Os testes, descritos na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), recriaram condições semelhantes às do universo quando este era uma “sopa” quente de partículas carregadas.

Em laboratório, pequenas assimetrias nos campos elétricos geraram correntes microscópicas. Essas correntes, por sua vez, produziram campos magnéticos espontâneos, mesmo sem a presença de estruturas prévias — resultado surpreendente e altamente relevante para a cosmologia.

O fenômeno observado corresponde ao chamado efeito Biermann, previsto teoricamente nos anos 1950. Ele descreve como pequenas diferenças de temperatura ou densidade em um plasma podem gerar campos magnéticos iniciais.

Como o universo bebê poderia ter criado seus primeiros campos magnéticos

Segundo o estudo, o mesmo efeito pode ter ocorrido nos primeiros instantes após o Big Bang. Naquele período, o cosmos era composto principalmente por prótons, elétrons e fótons em um estado extremamente quente e turbulento.

Qualquer pequena flutuação nesse caldo primordial — mesmo ínfima — poderia ter criado minúsculos campos magnéticos. Com o tempo:

  • a expansão do universo,

  • o movimento do plasma,

  • e a formação das primeiras estruturas

amplificariam esses “campos sementes”, estendendo-os por galáxias, aglomerados e filamentos cósmicos.

Hoje, telescópios detectam magnetismo em praticamente todos os cantos do espaço. Mas sua origem, até agora, era um quebra-cabeça.

Por que essa descoberta importa para entender o cosmos

Buraco Negro 1
© NASA Hubble Space Telescope – Unsplash

O achado elimina a necessidade de hipóteses exóticas — como campos magnéticos “colocados” no universo por processos desconhecidos — e reforça que a própria física do plasma primordial seria suficiente para explicar sua existência.

Essa conclusão é valiosa porque conecta duas áreas que raramente se encontram diretamente:

  • física de partículas, estudada em aceleradores como o CERN;

  • cosmologia, que aborda o comportamento do universo em larga escala.

Entender quando o magnetismo surgiu é crucial porque ele desempenha papéis fundamentais:

  • influencia a formação e evolução das estrelas,

  • afeta a forma das galáxias,

  • direciona o movimento de raios cósmicos,

  • altera processos de acreção e colisão em grandes estruturas.

Um universo que nunca deixou de vibrar

Para os pesquisadores de Oxford, compreender o magnetismo cósmico é mais do que curiosidade teórica — é decifrar parte da própria história do cosmos. Os campos magnéticos presentes hoje, atravessando galáxias inteiras, podem ser herdeiros diretos de flutuações quase imperceptíveis nos primeiros microssegundos do universo.

O estudo reforça a ideia de que, mesmo nos instantes mais primitivos, o cosmos já vibrava com forças invisíveis — forças que moldariam tudo, das maiores galáxias às menores partículas.

 

[ Fonte: La Razón ]

 

 

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