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Tecnologia

O Colapso do Carro Elétrico na Europa: Por Que os Usados e a Diesel Dominam as Ruas

A Europa apostou suas fichas no carro elétrico para 2035, mas o público está indo na direção oposta. Com preços altos, incertezas tecnológicas e salários estagnados, motoristas preferem veículos usados, antigos e até a diesel. Esse movimento impede a renovação da frota e ameaça os objetivos ambientais da União Europeia.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O plano europeu de eletrificar a frota de veículos até 2035 enfrenta um obstáculo crescente: o consumidor. Em vez de trocar de carro, muitos europeus mantêm os veículos por mais tempo ou compram modelos usados, inclusive a diesel. Na Espanha, França e Reino Unido, as vendas de usados superam com folga as de carros novos, revelando que o caminho para um transporte limpo será mais longo e complexo do que os legisladores previam.

Espanha: Mercado Travado e Frota Envelhecida

Carros Electricos (2)
© Red Dot – Unsplash

A Espanha vive um cenário preocupante para a renovação de seu parque automotivo. Embora sempre tenha havido mais vendas de usados que de novos, a diferença aumentou nos últimos anos. Em 2024, foram 1.264.950 veículos novos e 708.139 usados no primeiro semestre, com uma relação VO/VN de 1,78 para 1.

O grande problema é que os carros ficam mais tempo nas ruas. A idade média da frota já alcança 14,2 anos, superando a média europeia de 12,3 anos e colocando a Espanha entre os países com veículos mais antigos da União Europeia — atrás apenas de algumas nações do Leste Europeu e da Grécia.

A razão é clara: menos carros novos são comprados. Em 2007, as vendas de veículos novos chegaram a quase 1,94 milhão, enquanto em 2024 caíram para pouco mais de 1 milhão. O preço dos carros novos disparou cerca de 40% desde 2019, muito acima do crescimento dos salários, tornando a compra inviável para grande parte da população.

França e Reino Unido: O Reino dos Usados

Em outros países europeus, o fenômeno é ainda mais intenso. Na França, a relação entre usados e novos chegou a 4,21 para 1, enquanto no Reino Unido alcançou 3,71 para 1 em 2024. Isso significa que, para cada carro novo que sai da concessionária, mais de três ou quatro usados encontram compradores.

Curiosamente, o mercado de usados a diesel voltou a ganhar força. Dados da consultoria Cap HPI mostram que alguns modelos se valorizaram em pleno 2024:

  • Honda HR-V diesel (3 anos): +11,3% em relação a 2023

  • Mercedes CLS diesel: +8%

  • Ford Mondeo diesel: +6,5%

Essa tendência reflete o cálculo econômico dos motoristas. Para quem percorre longas distâncias, o diesel ainda oferece melhor autonomia e custo por quilômetro, compensando restrições urbanas e o estigma ambiental.

Diesel e Resistência ao Elétrico

Carros
© Ernest Ojeh – Unsplash

Enquanto a União Europeia pressiona pela eletrificação total, o consumidor permanece desconfiado. Carros elétricos ainda sofrem com autonomia limitada, infraestrutura de recarga insuficiente e preços elevados. Para muitos, trocar um carro a combustão por um elétrico novo não faz sentido financeiro nem prático.

Na Espanha, os diesel e diesel híbridos ainda responderam por 52,4% das vendas de usados no primeiro semestre de 2024, somando 662.793 unidades. Mesmo diante de restrições ambientais, o bolso continua falando mais alto.

Consequências Ambientais e Econômicas

Um mercado que não se renova traz consequências sérias. A frota envelhecida polui mais, apresenta maior risco de acidentes e exige manutenção cara. Além disso, o atraso na eletrificação coloca em risco as metas climáticas da União Europeia, que preveem o fim dos carros a combustão até 2035.

O cenário atual indica que políticas de incentivo isoladas não bastam. Sem redução real dos preços, rede de recarga confiável e estratégias para facilitar o acesso ao carro elétrico, a transição continuará travada. Enquanto isso, os motoristas seguem fiéis aos usados — e à economia que o diesel oferece.

 

[ Fonte: Motorpasion ]

 

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