A Espanha vive uma verdadeira guerra entre o governo e as plataformas de aluguel por temporada. Pressionado pelas autoridades, o Airbnb foi obrigado a retirar mais de 65 mil anúncios irregulares do ar. No entanto, essa ação não resolveu o problema — pelo contrário, revelou que a situação é ainda mais grave. Para turistas, moradores e empresas, as consequências já estão se tornando visíveis.
Remoção em massa e pressão judicial
O Ministério do Consumo da Espanha confirmou a exclusão de 65 mil anúncios ilegais no Airbnb. Todos se referiam a imóveis inteiros para locação turística que não apresentavam número de registro, traziam dados incorretos ou simplesmente omitiram informações obrigatórias.
A decisão não foi espontânea: ocorreu após meses de notificações, processos administrativos e decisões judiciais. A plataforma só cedeu após ser forçada por medidas legais respaldadas pelo Tribunal Superior de Justiça de Madrid.
Mais de 50 mil novos anúncios suspeitos
Mesmo com a retirada em massa, o alívio durou pouco. Quase simultaneamente, o governo identificou mais 54.728 novos anúncios ilegais ativos na plataforma — também sem registro oficial, exigido desde 1º de julho de 2025.
O Ministério já avisou que continuará inspecionando outras plataformas de aluguel, ampliando sua ofensiva para tentar regular um mercado que, por anos, operou praticamente sem controle efetivo.
Multas milionárias e processos em andamento
O Airbnb também enfrenta um processo por publicidade ilícita, que pode gerar multas de até 100 mil euros. E o valor pode ser até seis vezes maior, caso fique comprovado que a empresa lucrou diretamente com os anúncios irregulares.
Mesmo com tentativas de barrar a fiscalização por meio de liminares, os tribunais deram ganho de causa ao governo espanhol. Em casos como os mais de 5.800 anúncios ilegais detectados na Andaluzia, Catalunha e Madri, a retirada foi imediata.

Efeitos inesperados: mais hotéis, mas preços mais altos
Barcelona, uma das cidades que mais restringiram o aluguel turístico, viu os preços dos imóveis subirem 72% desde 2014. Os hotéis também ficaram mais caros — um aumento médio de 30% desde 2019.
Com o cerco ao Airbnb, turistas podem acabar migrando para hotéis, o que pode aquecer o setor… mas também torná-lo mais inacessível para muitos viajantes.
O futuro do turismo sob pressão
Essa nova fase do embate entre governo e plataformas digitais coloca em xeque o modelo de aluguel por temporada como conhecemos. Com mais fiscalização, regras rígidas e multas pesadas, o setor enfrenta um divisor de águas.
A Espanha pode ser só o começo de uma mudança global — e o Brasil precisa ficar atento.