O Corinthians deu um passo ousado ao implementar a biometria facial como ferramenta de controle de entrada em sua arena. A medida, adotada em julho, prometia mais organização e segurança. No entanto, os efeitos práticos têm sido amplos e controversos, atingindo desde a comercialização dos ingressos até a presença da torcida no estádio. O clube agora tenta equilibrar os ganhos da inovação com a queda na ocupação.
Da promessa de controle ao impacto nas arquibancadas

A nova tecnologia associou o ingresso ao rosto do torcedor, impedindo que ele fosse repassado ou revendido, salvo em casos de cadeiras cativas. Com isso, práticas comuns no programa Fiel Torcedor — como acúmulo de pontos para repasse de ingressos com desconto — foram interrompidas. O resultado imediato foi a democratização das vendas, beneficiando torcedores com menos pontuação, que antes não conseguiam acessar os jogos.
A diretoria comemora o aumento no número de ingressos vendidos diretamente pelo programa, que subiu de 70% para 80%. Além disso, mais de mil cortesias foram eliminadas, sobretudo no setor Oeste, foco de distribuição sem controle em gestões anteriores. Camarotes e contas internas com liberações irregulares também foram bloqueados.
Porém, a média de público caiu para 36 mil torcedores por jogo, número inferior aos mais de 43 mil que costumavam frequentar a arena. Mesmo com 17 mil novos sócios cadastrados, a presença física ainda não acompanhou esse crescimento.
Cambismo persiste, mas arrecadação cresce
Apesar da biometria, cambistas continuam atuando com esquemas criativos. Há registros de ingressos comprados com CPFs aleatórios e posterior cadastro facial de terceiros. Um dos casos envolveu a venda de bilhete por R$ 170, acima do preço oficial.
Por outro lado, a receita de bilheteria apresentou evolução. No clássico contra o Palmeiras, mesmo com público semelhante ao do ano anterior, a arrecadação ultrapassou R$ 3,3 milhões — reflexo direto da redução das gratuidades.
A diretoria aposta que o novo modelo valoriza o programa Fiel Torcedor. Como afirmou um representante: “Hoje vale a pena assinar, porque a economia em um ingresso já compensa o valor da mensalidade”.
Para reverter a queda de público, o clube estuda flexibilizar o período de vendas e oferecer mais benefícios aos associados. A próxima oportunidade de testar essas mudanças será na partida contra o Bahia, no dia 16 de agosto. O desafio agora é garantir que a tecnologia não afaste a torcida, mas sim, traga o estádio de volta à sua melhor forma.
[Fonte: Terra]