A Copa do Mundo FIFA 2026 deveria representar uma das maiores ondas de turismo da história recente dos Estados Unidos.
Mas algo inesperado começou a preocupar o setor hoteleiro americano.
A menos de um mês do início do torneio, hotéis em várias cidades-sede relatam reservas muito abaixo das expectativas iniciais.
O alerta veio da American Hotel & Lodging Association, que entrevistou empresários e operadores turísticos em 11 regiões metropolitanas que receberão jogos do Mundial.
E o resultado surpreendeu o mercado.
Quase 80% dos hotéis dizem que a procura está abaixo do esperado
Segundo o relatório da associação, cerca de 80% dos entrevistados afirmaram que o número de reservas está inferior às previsões feitas quando os Estados Unidos foram confirmados como uma das sedes da Copa.
As preocupações aparecem principalmente em cidades como:
- Miami;
- Nova York;
- Los Angeles.
Em algumas localidades, a situação parece ainda mais inesperada.
Kansas City registra movimento abaixo até do normal
Em Kansas City, cidade onde a Seleção Argentina de Futebol fará sua estreia, hotéis relatam níveis de reservas inferiores até mesmo aos padrões habituais para junho e julho.
Já em cidades como:
- Boston;
- Filadélfia;
- São Francisco;
- Seattle,
alguns empresários chegaram a descrever o torneio como um “não acontecimento” em termos de impacto turístico até agora.
O problema pode estar no clima em torno dos Estados Unidos

O relatório aponta vários fatores para explicar a baixa demanda.
Um dos principais seria a percepção internacional de que os Estados Unidos não estão oferecendo uma recepção particularmente amigável aos visitantes estrangeiros.
A questão dos vistos aparece como uma das maiores preocupações.
Segundo a associação, muitos torcedores acreditam que enfrentarão processos demorados, burocráticos ou pouco acolhedores para entrar no país.
O documento afirma que vários turistas sentem que não receberão exatamente um “tapete vermelho” ao chegar aos Estados Unidos.
Custos altos também assustam turistas
Além das questões migratórias, o custo da viagem virou outro problema importante.
Nos últimos meses, houve aumento nos preços de:
- passagens aéreas;
- hospedagem;
- transporte interno;
- combustível.
Para muitos torcedores internacionais, especialmente vindos da América Latina, acompanhar a Copa nos Estados Unidos se tornou uma experiência extremamente cara.
A FIFA também entrou na mira das críticas

A própria FIFA também foi criticada pelo setor hoteleiro.
Segundo a associação americana, a entidade teria bloqueado antecipadamente milhares de quartos de hotel para o evento e depois cancelado parte dessas reservas.
Isso teria dificultado planejamento e previsibilidade para vários estabelecimentos.
A Copa de 2026 será gigantesca
O Mundial de 2026 será o maior da história da competição.
Pela primeira vez, o torneio terá 48 seleções participantes e será dividido entre:
- Estados Unidos;
- Canadá;
- México.
A expectativa inicial era de um enorme impacto econômico, especialmente nas cidades americanas que receberão jogos.
Mas os sinais atuais sugerem que o fluxo internacional talvez não alcance os números inicialmente imaginados.
O setor teme perder uma oportunidade histórica
Para a presidente da associação hoteleira, Rosanna Maietta, ainda existe tempo para melhorar o cenário.
Ela defende medidas para facilitar entrada de turistas, evitar aumento excessivo de custos e garantir experiência mais acolhedora para visitantes internacionais.
Porque, no fim das contas, uma Copa do Mundo depende de algo além do futebol.
Ela também precisa convencer milhões de pessoas de que vale a pena atravessar o planeta para participar da festa.
E neste momento, pelo menos segundo parte da indústria do turismo americana, esse entusiasmo parece menor do que o esperado.
[ Fonte: Perfil ]