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Ciência

O elemento mágico da Terra que está desaparecendo — e pode paralisar hospitais, foguetes e pesquisas científicas

Ele não é ouro, nem petróleo, mas é vital para a medicina, a ciência e a tecnologia espacial. O hélio, gás raro e insubstituível, está desaparecendo da Terra — e o mundo não está preparado para as consequências. Sua escassez pode afetar desde ressonâncias magnéticas até o lançamento de satélites.
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Tempo de leitura: 2 minutos

 O planeta enfrenta uma crise silenciosa, mas de proporções gigantescas: o hélio, um dos elementos mais fascinantes e úteis da natureza, está acabando. Essencial para hospitais, laboratórios e até foguetes, esse gás não pode ser fabricado artificialmente e se perde aos poucos no espaço. Cientistas soam o alarme sobre o risco real de um colapso em setores inteiros da ciência e da tecnologia.

Por que o hélio está desaparecendo?

Hielo
© Unsplash

O hélio é formado em processos de desintegração radioativa natural ou em reações nucleares no interior das estrelas. Na Terra, ele é extraído junto com o gás natural, mas sua produção é extremamente limitada. Por ser ultraleve, escapa facilmente da atmosfera terrestre — uma vez liberado, se perde para sempre no espaço.

Segundo a química Sophia Hayes, da Universidade de Washington, “o hélio é mágico. Não há nada parecido no universo”. Seu armazenamento é difícil: em estado superfluido, ele escapa até pelas menores fissuras.

Desde 2006, o mundo já passou por quatro crises globais de escassez. A mais recente, em 2022, forçou a paralisação de pesquisas científicas e causou uma disparada nos preços. A cientista Nancy Washington, dos EUA, relata que precisou desligar seu espectrômetro de alta precisão por falta do gás.

Impactos: da medicina à indústria aeroespacial

A escassez de hélio pode ter consequências graves e imediatas em diversas áreas fundamentais:

  • Hospitais correm risco de ficar sem o gás necessário para operar ressonâncias magnéticas, essenciais no diagnóstico de doenças graves.

  • Laboratórios científicos dependem do hélio para resfriamento de equipamentos de alta precisão.

  • A indústria de semicondutores e baterias elétricas também utiliza o gás em processos de fabricação.

  • Setores como aeroespacial e defesa usam hélio em foguetes e satélites, tornando o gás estratégico em níveis geopolíticos.

A fornecedora hospitalar Premier Inc. alertou que a venda da reserva estratégica americana em 2024 pode impactar diretamente o atendimento de pacientes. A Associação de Tecnologia Médica Avançada declarou que a cadeia de abastecimento do hélio “é extremamente frágil”.

O fim de uma era?

Os Estados Unidos eram os maiores detentores de hélio do planeta, responsáveis por cerca de 46% da oferta global. Em 2024, o país vendeu sua última grande reserva a uma empresa privada, o que gerou apreensão entre pesquisadores, médicos e empresas de tecnologia.

Além disso, a escassez é agravada por fatores geopolíticos, como sanções, guerras e acidentes em usinas de processamento do gás, o que interrompe o fornecimento e pressiona ainda mais os preços.

Existe alternativa ao hélio?

Infelizmente, não há substituto viável para o hélio em diversas aplicações. Sua combinação única de propriedades — leveza, estabilidade, ponto de ebulição extremamente baixo — o torna insubstituível em muitas tecnologias de ponta.

Pesquisadores buscam formas de reciclar o hélio já usado, mas o processo é caro e ainda pouco difundido. A alternativa mais eficiente, por enquanto, é racionalizar o uso e buscar formas de proteger os estoques existentes.

 

Fonte: El Cronista

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