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O filme que provou que Zendaya não precisa da Marvel para dominar a tela

Antes de voltar aos grandes universos do cinema, Zendaya já havia provado que não precisa de superpoderes, areia espacial ou franquias gigantes para dominar a tela.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Zendaya está em uma fase rara da carreira. Ao mesmo tempo em que segue ligada a produções enormes, ela também começa a ocupar um espaço mais adulto, complexo e imprevisível no cinema. Entre super-heróis, ficção científica e diretores consagrados, há um filme recente que funciona como uma virada silenciosa. Nele, a atriz deixa as grandes mitologias de lado e prova que sua presença basta para sustentar uma história inteira.

A estrela que cresceu dentro de grandes universos

Durante anos, Zendaya foi associada a personagens cercadas por fandoms gigantescos. Para muita gente, ela era MJ nos filmes do Homem-Aranha, Chani em Duna ou Rue em Euphoria. São papéis fortes, comentados e muito diferentes entre si, mas todos ligados a fenômenos culturais que extrapolam a própria atuação.

Agora, sua agenda parece saída de uma estratégia perfeita de consolidação em Hollywood. Ela deve retornar ao universo Marvel em Spider-Man: Brand New Day, ao lado de Tom Holland, e também integra A Odisea, novo projeto de Christopher Nolan depois do impacto mundial de Oppenheimer.

É uma combinação poderosa: de um lado, uma das franquias mais populares do cinema contemporâneo; de outro, uma produção comandada por um dos diretores mais prestigiados da atualidade.

Mas o ponto mais interessante é que Zendaya não precisou esperar esses novos projetos para provar que podia carregar um filme longe dos efeitos grandiosos. Essa resposta já havia aparecido em Challengers, dirigido por Luca Guadagnino e lançado em 2024.

Quando a quadra vira um campo de tensão

Em Challengers, não há multiversos, planetas hostis, trajes especiais ou profecias espaciais. O cenário principal é uma quadra de tênis, mas o esporte funciona menos como tema e mais como linguagem para falar de desejo, controle, ambição e ressentimento.

Zendaya interpreta Tashi Duncan, uma ex-promessa do tênis que vê sua trajetória como atleta ser interrompida por uma lesão. Depois disso, ela passa a atuar como treinadora do marido, Art Donaldson, vivido por Mike Faist.

O conflito se intensifica quando Art precisa enfrentar Patrick Zweig, interpretado por Josh O’Connor, antigo melhor amigo e ex-namorado de Tashi. A partir daí, o filme constrói um triângulo emocional em que cada troca de olhar parece carregar anos de disputa.

A princípio, poderia parecer apenas um drama esportivo. Mas Guadagnino transforma cada saque, cada pausa e cada conversa em uma negociação de poder. O que está em jogo não é apenas vencer uma partida. É decidir quem controla a narrativa, quem ainda deseja quem e quem consegue sair menos ferido.

Uma personagem que não pede permissão para ser difícil

O grande trunfo de Zendaya está na forma como ela interpreta Tashi. A personagem não foi criada para agradar, explicar tudo ou suavizar suas contradições. Em certos momentos, ela parece cruel. Em outros, vulnerável. Em muitos, simplesmente afiada demais para aceitar que alguém conduza a situação por ela.

Essa ambiguidade exige uma atuação precisa. Sem depender de cenas grandiosas, Zendaya domina o filme com pequenas alterações de expressão, silêncios calculados e olhares que mudam completamente o clima de uma sequência.

Em Spider-Man, ela brilha dentro de uma engrenagem gigantesca e adorada pelo público. Em Duna, divide espaço com uma escala visual quase mitológica. Em Challengers, porém, não há esse tipo de proteção. A câmera fica próxima, os diálogos queimam devagar e a atriz precisa sustentar o desconforto de uma personagem difícil de classificar.

É justamente aí que ela cresce. Tashi não é heroína, vilã, musa ou vítima. Ela é tudo isso em momentos diferentes, sem caber totalmente em nenhuma dessas categorias.

O tipo de papel que muda a percepção de uma carreira

Challengers chegou em um momento decisivo. Zendaya já tinha fama global, prêmios, campanhas de moda, presença constante em tapetes vermelhos e uma legião de fãs. Ainda assim, faltava a alguns espectadores enxergá-la como protagonista absoluta de um drama adulto, sensual e estranho, sem a segurança de uma marca conhecida.

O filme entrega exatamente isso. Zendaya não interpreta “a namorada de”, “a escolhida” ou “a peça misteriosa de uma saga”. Ela interpreta Tashi Duncan, uma mulher movida por desejo, cálculo, frustração e fome de vencer.

Por isso, Challengers funciona como uma espécie de carta de apresentação para a nova etapa da atriz. Antes de reencontrá-la em Spider-Man: Brand New Day ou vê-la em La Odisea, vale lembrar que sua prova mais interessante talvez esteja em uma história muito menor em escala, mas muito mais venenosa em intenção.

Afinal, Zendaya não precisa de capa, escudo, areia espacial ou mundos compartilhados para dominar a tela. Às vezes, basta uma quadra, três personagens em combustão e uma atriz que sabe transformar até um sorriso em ameaça.

[Fonte: sensacine]

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