A aproximação do inverno costuma despertar a mesma dúvida todos os anos: será que o frio vai chegar mais cedo desta vez? A resposta exige uma análise cuidadosa, que leva em conta tanto os padrões históricos do clima quanto as simulações mais recentes dos modelos meteorológicos. E, em 2025, essa previsão torna-se ainda mais complexa por conta das mudanças globais de temperatura.
A diferença entre os dois invernos

O inverno meteorológico começa sempre no dia 1º de junho e é definido dessa forma para facilitar comparações entre anos. Já o inverno astronômico, que depende da posição do Sol, terá início em 20 de junho, às 23h42. A climatologia considera o inverno meteorológico mais representativo da realidade, já que o frio típico da estação costuma aparecer antes do solstício.
Exemplos não faltam: nos últimos anos, o Sul do Brasil já registrou suas menores temperaturas em plena primeira quinzena de junho. Em alguns casos, o frio extremo chegou ainda mais cedo, como em abril de 1999, quando houve neve, ou em maio de 2022, com mínimas históricas em várias capitais do Centro-Sul.
Frio antecipado: história e possibilidades
A história climática brasileira mostra que episódios de frio intenso fora da estação não são raridade. Em 2023, por exemplo, ocorreu o segundo episódio de neve mais precoce já registrado no Brasil, em 19 de abril. Em 2022, a massa polar impulsionada pelo ciclone Yakecan gerou frio recorde em estados do Centro-Oeste e do Sudeste — temperaturas que, inclusive, não voltaram a ser atingidas durante o inverno daquele ano.
Esses casos mostram que o outono brasileiro tem potencial para surpresas. Mas será que 2025 seguirá o mesmo caminho?
O que dizem os modelos climáticos
As projeções numéricas de curto e médio prazo (até 40 dias) não indicam, até agora, a chegada de massas de ar polar intensas até o fim de maio. Os dados apontam para incursões pontuais de ar frio no Sul do país, especialmente entre o fim de abril e o decorrer de maio, mas nada comparável aos eventos mais extremos já registrados.
A situação é ainda mais complexa neste ano porque, mesmo com o resfriamento do Oceano Pacífico — uma condição típica do fenômeno La Niña —, o planeta segue aquecido. Em janeiro de 2025, o mundo registrou temperaturas médias superiores às de janeiro de 2024, mesmo este último tendo sido influenciado por um forte El Niño. Isso dificulta previsões de longo prazo, já que o aquecimento global interfere nos padrões de temperatura sazonais.
Frio antecipado em 2025: sim ou não?
Com base nos dados analisados até agora, a tendência é de um outono com variações, mas sem extremos de frio antecipado. A possibilidade de episódios isolados de frio existe, especialmente no Sul, mas não há, por enquanto, indicativos de que o inverno começará mais cedo de forma significativa.
A recomendação dos meteorologistas é acompanhar os boletins atualizados, especialmente a partir da segunda quinzena de abril, período em que o comportamento das massas de ar frio costuma dar sinais mais claros do que esperar para os meses seguintes.
Enquanto isso, prepare os cobertores — mas talvez seja melhor esperar mais um pouco antes de tirar o casaco pesado do armário.
[Fonte: Metsul]