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Tecnologia

O futuro da conectividade global: Europa testa com sucesso ligação direta de 5G via satélite

A primeira conexão 5G direta com um satélite em órbita baixa foi realizada com sucesso, abrindo caminho para um futuro onde ficar sem sinal poderá ser coisa do passado.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A Agência Espacial Europeia (ESA) atingiu um marco inédito ao estabelecer a primeira conexão direta de 5G com um satélite em órbita baixa da Terra. Esse avanço pode revolucionar a forma como nos conectamos, eliminando áreas sem cobertura e permitindo acesso à internet em qualquer lugar do planeta.

Utilizando a tecnologia de rede 5G NTN na faixa de frequência Ka-band, a ESA e a operadora de satélites Telesat realizaram esse feito histórico, consolidando um novo passo para a evolução da conectividade global.

Como a conexão foi realizada?

O laboratório de pesquisa 5G/6G da ESA, localizado no Centro Europeu de Pesquisa e Tecnologia Espacial (ESTEC), estabeleceu uma ligação com o satélite LEO 3 da Telesat, utilizando a tecnologia da empresa francesa Amarisoft.

A conexão se manteve estável enquanto o satélite percorria seu trajeto no céu, desde seu surgimento no horizonte até atingir uma elevação máxima de 38 graus e, posteriormente, desaparecer no horizonte novamente.

Segundo especialistas do ESTEC, essa conquista representa um avanço crucial para tornar as conexões espaciais tão acessíveis quanto as de um telefone celular comum.

Por que essa tecnologia é tão importante?

Embora algumas empresas já ofereçam conexões via satélite, como a espanhola Sateliot com seu serviço 5G NB-IoT para dispositivos de Internet das Coisas (IoT), o teste da ESA, Telesat e Amarisoft representa a primeira conexão 5G NTN diretamente com um satélite de órbita baixa.

Esse avanço possibilita o uso da tecnologia para aplicações que demandam comunicação em tempo real, como:

  • Gestão de emergências e desastres naturais
  • Atendimento médico remoto
  • Internet em aviões e navios
  • Operações industriais a longa distância
  • Expansão do acesso à internet em áreas rurais e isoladas

Diferente dos satélites geoestacionários, os de órbita baixa possuem menor latência, tornando a conexão mais rápida e eficiente para aplicações que exigem respostas imediatas.

A conexão direta: um novo modelo de telecomunicações

Um dos grandes diferenciais desse projeto é o uso dos padrões abertos do 3GPP, evitando a dependência de tecnologias proprietárias. Isso significa que, no futuro, dispositivos móveis poderão se conectar diretamente aos satélites sem a necessidade de infraestrutura terrestre complexa.

Essa tecnologia poderá reduzir custos operacionais e garantir cobertura contínua, independentemente da localização do usuário. Assim, será possível manter o sinal mesmo em locais remotos, como montanhas ou oceanos, aproveitando o movimento contínuo dos satélites.

Europa busca reduzir a distância para o Starlink

O avanço europeu nesse setor representa um esforço para diminuir a distância tecnológica em relação ao Starlink, da SpaceX. Atualmente, a empresa de Elon Musk possui mais de 6 mil satélites em operação e atende cerca de três milhões de clientes ao redor do mundo.

A Europa, por sua vez, conta com a constelação OneWeb e está desenvolvendo a IRIS2, sua própria rede pública de satélites para comunicação global. Enquanto isso, a SpaceX continua expandindo sua infraestrutura e já completou a primeira constelação de satélites Direct to Cell, oferecendo cobertura direta para operadoras de telefonia no espectro LTE.

Com esse teste bem-sucedido, a Europa se aproxima da viabilização de uma rede de conectividade global, reduzindo a dependência de infraestruturas terrestres e permitindo que qualquer dispositivo compatível com 5G possa, no futuro, acessar a internet diretamente via satélite.

[Fonte: Terra]

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