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O impacto das redes sociais nas adolescentes: o estudo que revela o que elas realmente estão perdendo

Um amplo estudo britânico mostra que o uso precoce das redes sociais altera pilares fundamentais do bem-estar juvenil: o sono, a autoimagem e a confiança nas outras pessoas. Entre meninas da Geração Z, os efeitos são mais intensos, aumentando a ansiedade, a desconfiança e os sintomas depressivos ao longo da adolescência.
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Tempo de leitura: 2 minutos

As redes sociais fazem parte da rotina de crianças e adolescentes, mas seus impactos ultrapassam o entretenimento. Um novo estudo conduzido no Reino Unido revela que a exposição prolongada desde muito cedo pode afetar profundamente o desenvolvimento emocional, social e psicológico. O efeito é especialmente forte entre meninas da Geração Z, que mostram maior vulnerabilidade a comparações, pressão estética e interações negativas online. A pesquisa revela como essas plataformas moldam comportamentos e percepções em uma fase crítica da vida.

Três mecanismos que estão remodelando a adolescência

A pesquisa, publicada na revista Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology, acompanhou quase 19 mil crianças britânicas desde o nascimento. O objetivo foi analisar como o uso de redes sociais a partir dos 11 anos influenciava a saúde mental entre os 11 e os 17.
Os resultados identificaram três mecanismos centrais:

  • atraso no horário de dormir e pior qualidade do sono,

  • percepção corporal mais negativa,

  • aumento da desconfiança em relação aos outros.

Esses fatores mediaram a relação entre exposição precoce e maior risco de problemas psicológicos na adolescência tardia.

A queda da confiança: o impacto mais profundo entre meninas

O achado mais marcante foi o surgimento de desconfiança interpessoal — especialmente entre adolescentes do sexo feminino.
Segundo o pesquisador Dimitris Tsomokos, meninas que começaram a usar redes sociais muito novas apresentaram, anos depois, maior dificuldade para confiar em outras pessoas.

As razões incluem:

  • comparações sociais constantes,

  • exclusões em grupos digitais,

  • episódios de cyberbullying.

Como meninas tendem a depender mais das relações de apoio e reciprocidade, a insegurança emocional amplificada pelas plataformas aumenta a vulnerabilidade a ansiedade e depressão. Os efeitos foram significativamente maiores nelas do que nos meninos.

Sono e autoimagem: consequências silenciosas, porém profundas

O estudo mostrou que a exposição precoce às redes está ligada a noites mais curtas e horários de dormir mais tardios.
A privação de sono prejudica:

  • regulação emocional,

  • desempenho escolar,

  • estabilidade do humor.

Já a autoimagem negativa surge das comparações com padrões irreais: corpos idealizados, filtros, poses artificiais e vidas “perfeitas”. Esses estímulos constantes alimentam a insegurança e baixa autoestima, fatores críticos para o surgimento de sintomas depressivos.

Importante: esses efeitos persistiram mesmo após ajustes socioeconômicos, antecedentes familiares e condições prévias de saúde mental, reforçando a robustez das conclusões.

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© FreePik

O que famílias e políticas públicas podem fazer

Especialistas recomendam estratégias focadas em:

  • fortalecer a confiança e as habilidades sociais,

  • promover rotinas saudáveis de sono,

  • incentivar uma visão corporal mais realista,

  • oferecer educação digital para uso consciente,

  • regular algoritmos e ampliar suporte emocional nas escolas.

A mensagem final do estudo é clara: as redes sociais não são neutras na infância e na pré-adolescência. Ajudar jovens — especialmente meninas — a navegar esse ambiente de forma equilibrada é essencial para proteger sua saúde emocional.

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