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Ciência

O maior radiotelescópio do mundo está investigando possíveis sinais alienígenas: 100 delas continuam sem explicação

Após duas décadas analisando sinais vindos do espaço, pesquisadores identificaram apenas 100 candidatos realmente interessantes. Agora, o maior radiotelescópio do mundo tentará descobrir se algum deles pode ter origem não humana.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante décadas, cientistas têm escutado o cosmos em busca de algo que possa indicar que não estamos sozinhos no universo. Entre bilhões de sinais de rádio captados por telescópios, quase todos acabam sendo explicados por fenômenos naturais ou interferências tecnológicas da própria Terra. Mas um projeto científico que mobilizou voluntários do mundo inteiro chegou a um resultado surpreendente: apenas um pequeno grupo de sinais permaneceu sem explicação clara.

De bilhões de sinais a apenas 100 candidatos

O maior radiotelescópio do mundo está investigando possíveis sinais alienígenas: 100 delas continuam sem explicação
© https://x.com/XHespanol/

O projeto SETI@home passou mais de duas décadas analisando sinais de rádio vindos do espaço em busca de possíveis indícios de inteligência extraterrestre.

Ao longo desse período, os pesquisadores examinaram cerca de 12 bilhões de sinais captados por radiotelescópios.

Depois de um longo processo de filtragem e verificação, esse enorme conjunto de dados foi reduzido a apenas 100 sinais considerados candidatos promissores.

Esses sinais agora estão sendo analisados com mais cuidado por um dos instrumentos científicos mais poderosos já construídos para observação do universo.

O trabalho está sendo realizado pelo FAST (Five-hundred-meter Aperture Spherical Telescope), localizado na China e considerado atualmente o maior radiotelescópio do planeta.

Esse equipamento possui uma área coletora gigantesca, muito superior à de telescópios anteriores usados na busca por sinais extraterrestres.

A expectativa dos pesquisadores é verificar se algum desses sinais pode reaparecer exatamente no mesmo ponto do céu — um possível indício de origem artificial.

Um projeto que mobilizou computadores do mundo inteiro

O projeto SETI@home começou em 1999 e ficou conhecido por utilizar um método inovador chamado computação distribuída.

Em vez de depender apenas de supercomputadores, os cientistas convidaram pessoas do mundo inteiro a contribuir com o processamento dos dados.

Usuários podiam instalar um pequeno programa em seus computadores pessoais que analisava fragmentos das observações do radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico.

Enquanto os computadores ficavam ociosos, o software examinava sinais de rádio vindos do espaço em busca de padrões incomuns.

Milhões de pessoas participaram dessa iniciativa em mais de 100 países.

Graças a essa colaboração global, os cientistas conseguiram examinar enormes volumes de dados e observar diversas regiões do céu repetidas vezes.

Esse esforço coletivo permitiu acumular um dos maiores conjuntos de observações já reunidos na busca por possíveis sinais extraterrestres.

O grande desafio: separar sinais reais de interferências

O principal obstáculo enfrentado pelos pesquisadores sempre foi distinguir sinais cósmicos reais de interferências geradas na própria Terra.

Satélites, transmissões de rádio, equipamentos eletrônicos e até dispositivos domésticos podem produzir ruídos que aparecem nas observações astronômicas.

Grande parte das bilhões de detecções iniciais acabou sendo descartada justamente por esse motivo.

Depois de anos de análises e refinamentos nos algoritmos, os cientistas reduziram o número de candidatos primeiro para cerca de um milhão de sinais.

A partir desse grupo, apenas 100 permaneceram como possíveis candidatos interessantes.

Para testar a confiabilidade do sistema, os pesquisadores também inseriram milhares de sinais artificiais falsos nos dados.

Esses testes permitiram avaliar se os algoritmos eram capazes de identificar corretamente padrões incomuns sem descartar possíveis sinais autênticos.

O papel do maior radiotelescópio do mundo

Agora, cada um desses 100 sinais está sendo analisado novamente com a ajuda do FAST.

O radiotelescópio observa cada ponto do céu por cerca de 15 minutos, tentando detectar se o sinal aparece novamente.

Se uma emissão semelhante for registrada no mesmo local e apresentar características que não correspondam a fenômenos naturais conhecidos, ela poderá se tornar um candidato ainda mais interessante.

Apesar do entusiasmo em torno da pesquisa, os cientistas mantêm cautela.

Até agora, os dados coletados pelo FAST ainda não foram analisados completamente.

O mais provável é que muitos desses sinais também acabem sendo explicados por causas naturais ou interferências desconhecidas.

Mesmo assim, o estudo representa um avanço importante na busca por tecnofirmas — possíveis sinais tecnológicos produzidos por civilizações extraterrestres.

Se algum dos candidatos resistir às verificações iniciais, outros radiotelescópios ao redor do mundo serão usados para confirmar a detecção em diferentes frequências.

Caso nenhum deles seja confirmado, os pesquisadores ainda assim terão refinado os métodos de busca e ampliado o conhecimento sobre o universo.

Depois de reduzir bilhões de sinais a apenas cem candidatos, a investigação entra agora em uma de suas fases mais interessantes — aquela em que cada pista pode esconder uma descoberta histórica.

[Fonte: La nación]

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