Pular para o conteúdo
Ciência

O mapa do universo começa a ganhar forma com ajuda de um telescópio europeu

Uma missão que acaba de começar já entrega resultados surpreendentes: bilhões de galáxias mapeadas, estruturas nunca antes vistas e confirmações da teoria de Einstein. E tudo isso pode ser só o começo de uma nova era na astronomia.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

O telescópio espacial Euclid, da Agência Espacial Europeia, acaba de dar seu primeiro grande passo rumo a um dos maiores desafios da ciência moderna: entender a matéria escura e a energia escura. Seus dados iniciais surpreenderam até mesmo os cientistas envolvidos e indicam que estamos prestes a enxergar o universo como nunca antes — literalmente.

Uma missão que já faz história

Lançado em 2023 e posicionado no ponto L2 de Lagrange, o Euclid já começou a cumprir sua missão com resultados impressionantes. Mesmo sendo apenas o primeiro conjunto de dados de uma missão que deve durar até 2030, o telescópio identificou 26 milhões de galáxias, algumas situadas a mais de 10 bilhões de anos-luz da Terra.

O mapa do universo começa a ganhar forma com ajuda de um telescópio europeu
© Pexels

A partir da análise de três grandes regiões do céu, o Euclid está ajudando a construir o mapa mais detalhado e abrangente já feito da distribuição de objetos no cosmos. O levantamento inclui desde galáxias distantes até quasares superbrilhantes e, sobretudo, lentes gravitacionais — estruturas cósmicas que confirmam previsões da relatividade geral e revelam a influência da misteriosa matéria escura.

A teia cósmica e os mistérios do universo

As galáxias não estão espalhadas aleatoriamente no universo. Elas se organizam em uma teia cósmica, cujos filamentos são formados por matéria comum e matéria escura — que não emite luz, mas afeta o movimento e a formação de galáxias. O Euclid mede com extrema precisão o formato, o tamanho e a distância desses objetos para ajudar a entender como essa estrutura foi formada e como evolui.

O mapa que o telescópio está criando é fundamental para explorar a composição invisível do universo, que inclui a energia escura — responsável pela aceleração da expansão cósmica. Apesar de corresponderem a 95% de tudo o que existe, matéria escura e energia escura ainda são grandes enigmas para a ciência.

O Euclid já está enviando 100 GB de dados por dia, e para classificar esse material os cientistas contam com inteligência artificial e voluntários humanos. Mais de 10 mil pessoas participam da plataforma Galaxy Zoo, ajudando uma IA chamada Zooboot a identificar formatos de galáxias e aumentar a precisão da análise.

Lentes gravitacionais e os arcos de Einstein

Entre os achados mais empolgantes do Euclid estão as lentes gravitacionais fortes, que distorcem a luz de objetos mais distantes graças à curvatura do espaço-tempo — um efeito previsto por Einstein há mais de 100 anos. Esses fenômenos criam imagens peculiares, como arcos e anéis, e permitem observar galáxias que, de outra forma, seriam invisíveis.

Só neste primeiro lote de dados, o Euclid já detectou cerca de 5 mil lentes fortes, número que deverá chegar a 100 mil até o fim da missão — um aumento de 100 vezes em relação ao que conhecíamos antes.

O que vem pela frente

Apesar de enfrentar desafios iniciais, como o acúmulo de gelo em sua lente, a equipe da ESA conseguiu contornar os problemas técnicos e manter a sensibilidade do telescópio. E isso é apenas o começo: nos próximos anos, o Euclid observará entre 30 e 50 vezes mais regiões do céu, multiplicando suas descobertas.

Somado aos dados de outros telescópios, como o SPHEREx, da NASA, o Euclid vai ajudar a responder perguntas fundamentais: A teoria da gravidade de Einstein funciona em todas as escalas? Qual é a real natureza da energia escura? Como a estrutura do universo mudou ao longo do tempo?

O universo, antes invisível em muitos aspectos, começa finalmente a revelar seus segredos — e o Euclid será peça-chave nessa nova jornada cósmica.

[Fonte: Terra]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados