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Ciência

O que aconteceu com pacientes com Alzheimer após 3 meses de dança vai surpreender Você

Um novo estudo da Universidade de West Florida revelou que a dança pode trazer benefícios surpreendentes para pessoas com Alzheimer. Além de melhorar o humor e reduzir a agitação, os participantes demonstraram avanços na memória e nas capacidades físicas, mesmo fora das aulas. Os resultados abrem caminho para novas abordagens não farmacológicas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A doença de Alzheimer é desafiadora tanto para quem a vive quanto para seus cuidadores. Embora os tratamentos convencionais sejam importantes, terapias complementares vêm ganhando destaque. Uma dessas abordagens — a dança adaptada — acaba de revelar efeitos positivos impressionantes. Um estudo recente mostrou como o movimento pode ir além da música e transformar vidas.

Dança como ferramenta terapêutica

Pesquisadores da Universidade de West Florida avaliaram os efeitos da dança em pessoas diagnosticadas com Alzheimer e outras demências. A pesquisa foi publicada no Journal of Alzheimer’s Disease e envolveu pacientes atendidos em um centro de cuidados diurnos chamado The Retreat, vinculado ao Conselho sobre o Envelhecimento da região.

Segundo Rodney Guttmann, responsável pelo estudo, intervenções baseadas em movimento, como a dança, demonstram ser formas significativas de promover bem-estar físico e emocional. Já Josh Newby, diretor do centro, presenciou de perto os efeitos das aulas: melhorias visíveis no ânimo, na compreensão e na condição física dos participantes.

Como foi conduzido o estudo

Participaram do estudo 16 pessoas, sendo 12 mulheres e 4 homens, todos diagnosticados com Alzheimer ou outras demências. Eles foram divididos em dois grupos: um praticou dança duas vezes por semana durante uma hora; o outro se envolveu em atividades como bingo, jogos de cartas, quebra-cabeças e trabalhos manuais — todas sem música.

No grupo da dança, os participantes aprenderam seis coreografias diferentes, incluindo passos de caixa e charleston, com adaptações para respeitar os limites físicos de cada um. Ninguém sofreu quedas ou perdeu o equilíbrio durante as aulas, o que reforça a segurança da prática.

Melhoria no humor e na interação

Os efeitos positivos iam além do tempo de dança. Mesmo nos intervalos, os participantes permaneciam animados, batendo palmas ou os pés ao som da música ambiente. Essa reação demonstra o quanto o estímulo musical e rítmico era eficaz em manter o engajamento emocional e social dos pacientes.

Além disso, os cuidadores notaram que seus entes queridos repetiam os passos de dança em casa ou em outros momentos do dia, mesmo sem música. Esse comportamento reforça a ideia de que a memória motora foi estimulada e fortalecida com as aulas.

Memória e movimento: uma conexão poderosa

Um dado relevante foi que seis dos oito participantes do grupo de dança conseguiram lembrar movimentos de ao menos três coreografias aprendidas ao longo das 12 semanas. Essa retenção sugere que a atividade rítmica ajudou na manutenção da memória, desafiando a ideia de que pessoas com Alzheimer não conseguem aprender ou reter novos conhecimentos.

Essa descoberta também trouxe alívio emocional para os cuidadores, que relataram alegria ao ver seus familiares engajados em uma atividade prazerosa e produtiva.

Limitações e próximos passos

Apesar dos resultados animadores, o número reduzido de participantes impede que as conclusões sejam consideradas estatisticamente significativas. Os autores do estudo recomendam que futuras pesquisas ampliem tanto a frequência das aulas quanto a quantidade de participantes para avaliar os impactos com mais precisão.

Ainda assim, este primeiro experimento oferece um caminho promissor para terapias complementares no tratamento de demências, ressaltando o poder do corpo em movimento como agente de transformação.

Considerações finais

Embora ainda sejam necessários estudos mais robustos, a dança desponta como uma alternativa acessível, segura e eficaz para melhorar a qualidade de vida de pessoas com Alzheimer. Além dos benefícios cognitivos e físicos, a atividade promove momentos de alegria, conexão e autoestima — fatores muitas vezes negligenciados no tratamento da demência.

A música pode até não curar, mas o ritmo pode, sim, transformar.

 

Fonte: Infobae

 

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