Vivemos cercados por telas que nos devolvem imagens constantemente — mas nem sempre com carinho. Seja nos stories, nas reuniões por vídeo ou nas selfies, estamos nos observando o tempo todo. O problema é que essa exposição também ampliou o julgamento interno. Será possível mudar esse olhar sobre nós mesmos? Um episódio recente do Mel Robbins Podcast mergulha nesse tema e aponta caminhos reais para uma relação mais saudável com o corpo.
Como a cultura digital molda (e distorce) a autoimagem

Segundo Mel Robbins e seus convidados — o comediante Jake Shane e as psiquiatras Ashwini Nadkarni e Judith Joseph —, a autoimagem virou uma fonte de pressão emocional intensa. Jake, por exemplo, contou que nunca conseguiu manter um relacionamento estável por causa da insegurança com o próprio corpo. E ele não está sozinho.
Nadkarni explicou que o sofrimento surge do choque entre quem somos e quem achamos que deveríamos ser, agravado pela enxurrada de imagens idealizadas nas redes. Judith Joseph introduziu um conceito ainda mais profundo: o de se sentir observado constantemente, como se estivéssemos sempre “em cena” — uma sensação que pode levar à ansiedade ou até a um afastamento emocional de si mesmo.
Durante a pandemia, um estudo revelou que 30% das pessoas pensaram em fazer cirurgias estéticas por causa das videoconferências. Mas, como Joseph alerta, nenhuma mudança externa resolve o que está quebrado por dentro: “A questão não é o corpo em si, mas as feridas emocionais que carregamos.”
Quatro passos para fazer as pazes com o espelho
Com base em sua prática clínica, as especialistas sugeriram quatro atitudes simples, porém poderosas, para reconstruir a autoestima:
1. Entenda que é um problema cultural
É preciso reconhecer que a autocrítica não nasce com a gente — ela é aprendida. E diminuir o tempo nas redes sociais pode aliviar bastante essa pressão.
2. Investigue a origem do julgamento
Tente lembrar quando começou o desconforto com o corpo. Identificar esse momento pode ajudar a entender as emoções por trás dele.
3. Troque culpa por compaixão
Frases duras como “não sou bom o suficiente” podem ser substituídas por afirmações mais gentis, como “estou cuidando melhor de mim a cada dia”.
4. Pare de adiar a vida
Não espere atingir um “corpo ideal” para viver. A maioria dos medos sobre o que os outros vão pensar é apenas imaginação — e viver com liberdade é mais importante do que qualquer perfeição estética.
Aceitação: a chave da verdadeira felicidade

De acordo com o podcast, aceitar quem se é pode gerar mais bem-estar do que sucesso profissional. Viver esperando mudanças físicas reforça a insatisfação — e o que mais se lamenta, ao olhar para trás, não é o corpo, mas o tempo perdido com vergonha dele.
Deixar de lutar contra o espelho e começar a se enxergar com mais gentileza pode ser o passo mais libertador da sua vida.